quinta-feira, 28 de julho de 2011

10 erros estúpidos que os empreendedores cometem

Professor Pablo Martin de Holan destaca quais os erros mais cometidos por quem monta um negócio e vai atrás de financiamento

Por Daniela Moreira, de exame.com

“Você pode aprender com os seus erros, mas, se possível, evite”. Foi com essa máxima que o professor Pablo Martin de Holan encerrou sua apresentação (assista aqui) a uma audiência de futuros empreendedores na última terça-feira (26/07), no auditório da FGV-EASP.
Diretor do departamento de Gestão Empreendedora da IE Business School, em Madri, ele apontou 10 erros estúpidos que muitos empreendedores cometem na hora de montar um negócio e ir atrás de financiamento. Saiba quais são eles.
1. Não saber qual é sua vantagem competitiva
“Você não pode ser tudo para todos”, destaca o professor. “Ou você compete pelo preço, e entra no cruel mundo das commodities, ou terá que ser diferente de uma maneira relevante para o cliente”, ele acrescenta. A solução para o problema é conhecer muito bem o seu marcado e os seus clientes. “Faça sua lição de casa”, recomenda.
2. Ser ingênuo em um mundo cínico
Muitos empreendedores acham que chegar primeiro em um mercado garantirá o sucesso do negócio, mas esta fórmula nem sempre dá certo. Muitos dos grandes players dos seus segmentos chegaram depois e aprenderam com os erros de quem se aventurou primeiro. É o caso da Apple, que não foi a primeira a vender tocadores de música digital, mas dominou rapidamente o mercado quando entrou nele.  “Ser primeiro nem sempre ajuda”, diz Holan.
3. Esquecer que é preciso gerar valor
Se você vai entrar em um mercado em que já existem outros competidores, é fundamental mostrar a que veio. “Seu produto tem que gerar mais valor que a concorrência”, enfatiza o especialista. “O iPhone não é o primeiro smartphone  a tocar música, acessar e-mail ou tirar foto. Mas ele tem algo a mais, algo que gera valor para o usuário”, explica ele. E se você vai vender algo que não existe, torna-se ainda mais fundamental provar que aquilo vai trazer algum valor para o cliente. 
4. Minimizar a importância da execução
“Quando um investidor precisa escolher entre uma boa ideia e um bom time, ele escolhe o bom time”, diz Holan. Não basta ter uma boa ideia, é preciso mostrar que você é capaz de executar. Tenha pelo menos um protótipo antes de procurar um investidor, ele aconselha.
5. Achar que sua ideia é a melhor do mundo
Deixe o entusiasmo de lado e avalie quanto sua ideia realmente vale. Ter o pé no chão ajuda na hora de negociar com o investidor. “A avaliação de uma empresa é uma negociação”, destaca. Chegar à mesa achando que sua ideia é a melhor do mundo pode atravancar o processo.
6. Pedir demais pelo negócio
Uma consequência de achar que sua ideia é a melhor do mundo é pedir dinheiro demais por ela. Quem exagera na conta, pode sair de mãos abanando. “Você tem que entender o que é realista”, aconselha o professor.
7. Acreditar que o que está no plano de negócios é o que vai acontecer
Para ter sucesso no empreendedorismo, é preciso desafiar os parâmetros que você próprio definiu e mudar os rumos do negócio com agilidade. “É preciso ter flexibilidade para mudar quando as coisas mudam”, recomenda.
8. Procurar o investidor errado
Conhecer o perfil do investidor é importante para que a parceria dê certo. Para que a aliança seja proveitosa para os dois lados, é preciso saber quais são as expectativas dele e entender se elas estão alinhadas com a do negócio.  “Tenha em mente que o investidor está preocupado com a saída. Muitos saem até antes de o negócio dar lucro”, destaca Holan. Se você está procurando um parceiro de longo prazo, aliar-se a um investidor com histórico de saídas rápidas pode não ser a melhor escolha.
9. Achar que você é “cool” e todo mundo quer ser seu aliado estratégico
Muitos empreendedores acham que vão resolver todos os seus problemas de escassez de recursos com alianças estratégicas.  Seja realista. Você pode achar que uma parceria com o Google ou o Facebook é a solução para os seus problemas. Mas o que você tem a oferecer a eles? “Uma aliança implica uma troca. Você tem que ter algo que realmente interesse a eles. Se a relação for assimétrica, não ai acontecer”, adverte o especialista.
10. Acreditar que seus problemas são únicos
Achar que seus problemas são exclusivos é uma armadilha perigosa, porque faz com que o empreendedor deixe de olhar para os lados. “Aprenda com os outros”, aconselha o professor. Ler livros, fazer cursos e principalmente conversar com outros empreendedores pode ajudar a agilizar a solução de problemas. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Você não precisa ir ao Tibete (ou a algum outro lugar remoto) para se tornar um gestor melhor

Por José Roberto Ferro

Um dos livros mais vendidos no Brasil há anos, ora considerado uma publicação de administração e ora de autoajuda, sugere que, para se tornar um gestor melhor é preciso se redescobrir por meio de um processo de autorreflexão. Nele, um executivo com problemas familiares e laborais, decide fazer uma tentativa pouco convencional para resolvê-los. E qual o melhor lugar para isso senão um local religioso com o apoio de monges? Esse executivo, até então gerenciando em bases tradicionais, sai desse processo de transformação como um gestor mais humano e como uma pessoa melhor, com novas premissas sobre o seu papel de líder.

Consideramos, porém, que há outras maneiras, simples e eficazes, a partir de uma reflexão de como deve ser exercido o papel da liderança, de tornar os gestores e líderes mais eficazes e satisfeitos. E que não precise afastá-los do dia-a-dia. Basta usar a sua própria organização para testar e aprender novas ideias, métodos e valores sobre o seu trabalho e a sua relação com as outras pessoas.

Tomemos, como exemplo, o processo de gestão A3*, o qual imagino que você conheça e até mesmo o pratique. Trata-se de um excelente exemplo do exercício de humildade por parte do gestor. Partindo de uma folha de papel em branco, o gestor reconhece a sua ignorância ao buscar um processo de entendimento rigoroso e científico da situação atual de um tema ou de um problema. Mas para fazer isso, não basta apenas o seu conhecimento anterior. Ou as suas premissas ou mesmo conceitos prévios. É preciso vestir a "sandália franciscana" da humildade, sair do conforto do seu escritório ou das salas de reunião e ir ao gemba, o local onde as coisas acontecem, falar com as pessoas engajadas nos processos concretos e observar com seus próprios olhos. Com isso, deve-se evitar o "já sei, já conheço". E o pior, "aqui está a solução". Ambos devem ser substituídos por perguntas investigativas como "o quê?" e "por quê?" até que os fatos concretos, os dados e informações relevantes, bem como suas causas emirjam com clareza.

Mas o exercício de humildade continua nas etapas seguintes do processo A3. Na hora de pensar em contramedidas, alternativas ou soluções, as pessoas envolvidas também precisam ser consultadas, pois podem vir dali as melhores ideias e sugestões, e não necessariamente do pretenso gestor "brilhante". O controle do 'ego' precisa ser exercido mais uma vez nessa etapa de elaboração do A3. Será colocada à prova o verdadeiro trabalho em grupo no qual a empatia, o saber ouvir e, mais do que isso, o saber escutar, deverão ser exercidos em sua essência e plenitude na resolução de problemas práticos e relevantes, e não como parte de algum treinamento especial.

O A3 resultante será tão melhor quanto for a capacidade do seu autor de se engajar em um processo de diálogo franco e aberto com todos os envolvidos, em particular com o seu mentor, a pessoa mais interessada e comprometida em sua resolução e finalização. Para isso, ele precisa confiar nas pessoas, conquistar a vontade, o interesse e a disposição das mesmas em contribuir, ao ser respeitado mais pelo seu conhecimento e capacidade do que por posições formais na hierarquia. E, o mais importante, passa a ser a responsabilidade sobre o A3, e não a autoridade, para permitir que o gerenciamento seja feito como se o líder não tivesse poder algum.

Assim, as contramedidas e o plano de ação resultantes desse processo não são necessariamente o que o seu autor propunha ou mesmo imaginava, mas o conjunto de ideias e sugestões daqueles envolvidos diretamente com as atividades. Um bom A3 é resultado de um bom processo de diálogos e de compromissos assumidos. Isso pode, muitas vezes, requerer muita paciência. Fomos criados para avançarmos cada vez mais rápido, e as novas tecnologias cada vez mais nos pressionam para isso. Nesses caos, às vezes, ir devagar pode ser muito melhor.

O líder "sabe tudo", que tem a solução que todos esperam, deve ser substituído pelo líder que sabe fazer as perguntas certas, que faz as pessoas pensarem. Saber formular a pergunta certa é central no exercício desse novo papel. Mas o propósito não é apenas ajudar a entender os problemas. Ou identificar desperdícios ou mesmo pensar nas possibilidades de melhorias, quer sejam pontuais, quer sejam sistêmicas. Mas, além disso, deve-se desafiar as pessoas a fazerem coisas que elas julgavam ser incapazes de fazer. Desafiar as pessoas é a última etapa do processo de respeitar -> confiar - > desenvolver as pessoas. (Veja o artigo de John Shook).

É dessa forma que efetivamente se ajuda e respeita as pessoas, com foco na melhoria das atividades e dos processos, sempre tendo em vista as necessidades e o propósito do negócio, com foco nos clientes.

Não é tarefa fácil transformar valores e pressupostos pessoais, enraizados em anos de formação e experiência pessoal aprendida nas escolas e na família, e, principalmente, profissionais, quase sempre em múltiplas organizações, que geram um determinado padrão dominante de comportamentos e atitudes. Sair um pouco da rotina às vezes angustiante do dia-a-dia pode ser um exercício útil para permitir uma autorreflexão sobre os limites da visão do "comando e controle" e dos benefícios de entender e posicionar o papel da liderança como um dos elos na cadeia de ajuda a quem efetivamente agrega valor.

Mas, que tal não esperar e tentar começar hoje mesmo? E não precisa esperar a ajuda de ninguém, quer seja um monge ou algum outro agente externo. A razão deve prevalecer sobre as emoções na gestão lean. Mas um novo tipo de razão, no qual o papel do líder seja profundamente distinto dos padrões dominantes de hoje.



Caso você não tenha familiaridade com o A3, sugerimos a leitura do livro "Gerenciando para o Aprendizado" de John Shook e do "Entendendo o Pensamento A3" de Art Smalley e Durward Sobek.

José Roberto Ferro é Presidente do Lean Institute Brasil
Texto publicado no site : http://www.lean.org.br

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A visão de futuro de sua empresa só pode ser uma: “Ser competitiva e lucrativa!”

Por Simone Espindola de Oliveira

Reflita sobre este assunto:
Qual a missão da sua empresa?
E qual a sua visão de futuro?
Ser a maior, ser a melhor, ser a preferida?


Ótimo, porém a diretriz simplista resumida em uma única e vaga frase é falha ao exprimir desejos sem nenhum subsídio numérico certeiro, tangível e factível.
Frases são lindas e românticas para se colocar em paredes de corredores ou direcionar algumas ações (não todas) referentes ao ambiente externo, no entanto, colocar os pés no chão é importante: a missão de toda e qualquer empresa privada e com fins lucrativos é, como o próprio nome diz, ser lucrativa, e sua visão de futuro é remunerar com uma taxa mínima de atratividade, o capital empregado. Não é necessário ler a mente dos empresários para saber o que eles efetivamente desejam.
Nenhuma empresa privada nasce espontaneamente para a satisfação dos stakeholders, geração de empregos, preocupação com o meio ambiente etc.
A motivação inicial para o nascimento de qualquer empresa é a geração de resultados e aí sim, para que isto ocorra, é necessário dar algo em troca para a demanda: a oferta de produtos e/ou serviços adequados.
Gerar empregos, reverter parte dos resultados em benefícios para a sociedade, enfim, ser uma empresa cidadã, são objetivos que só podem ser conquistados por intermédio do lucro, em outras palavras, o lucro tem que estar sinalizado como prioridade e isto deve estar muito bem compreendido por todos os colaboradores de uma empresa bem como sua parcela de responsabilidade para que a saúde financeira da empresa esteja sempre conforme o planejado.
O desafio mais importante e prioritário de todas as empresas é traduzir aquelas belas frases em números e fazer a engenharia reversa da visão de futuro, desdobrando-a do futuro para o presente, mês por mês até a presente data e entender, matematicamente, o que deve ser atingido em cada etapa na linha do tempo, em cada atividade produtiva e administrativa, o que deve ser vendido e por quanto para que não haja prejuízo, os custos que devem ser eliminados, os investimentos que devem ser feitos, quais produtos/serviços manter em linha e quais eliminar, que novos produtos serão lançados, enfim, tudo para que aquela visão modelada matematicamente ocorra.
Metas não podem ser números lançados ao acaso. Metas devem ser calculadas com base na complexa relação de causa e efeito que tem seu foco final na visão matemática do futuro. O tiro deve ser certeiro.
Empresas normalmente não possuem balas sobrando para irem à guerra, portanto é importante delimitar as incertezas.
A grande questão é: O que significa ser a maior ou a melhor ou a preferida ou a mais amada ou a top of mind? Faturar mais? Gerar mais resultado? Ter mais funcionários? Ter o maior percentual de crescimento? Satisfazer na qualidade? Ou tudo isso junto?
E mais: Quanto faturar? Quanto gerar de resultado? Com que recursos instalados? Quanto e onde enxugar na atual estrutura? Onde reduzir custos e como?

Que números traduzem a visão de futuro de sua empresa?

O modo como sua empresa está medindo se está caminhando para ser a maior e a empresa preferida de sua demanda é o ponto crucial. Em outras palavras, é a diferença existente entre as empresas vencedoras e aquelas cuja gestão está limitada a frases e pensamentos.
Saber aonde se quer chegar é fundamental, porém, mais importante é saber como traduzir este futuro em números.
Mapear e modelar matematicamente os processos administrativos e produtivos utilizando ferramentas apropriadas e precisas tais como a UEP e o ABC é fundamental para o entendimento do comportamento dos custos das atividades e processos, da rentabilidade unitária dos produtos, do custo da ociosidade, das atividades que agregam e não agregam valor, do custo e do retorno sobre o investimento dos projetos internos, dos produtos que ainda estão em fase de P&D, do que pode e do que não pode ser eliminado, do que dá e o que não dá resultado efetivo para a empresa.
Somente após esta modelagem matemática é possível comunicar a estratégia traduzida em números. Uma boa ferramenta para comunicação das estratégias é o BSC, no entanto só funciona a contento se alimentado por indicadores confiáveis.
Depois disso é necessário visualizar o futuro. Os modelos contábeis tradicionais são totalmente ineficientes para fins estratégicos por resumirem apenas a eficiência operacional que ocorreu no passado.
E o passado já passou, é o lado oposto daquele visualizado por sua estratégia. A estratégia olha para o futuro e não para o passado. Custos passados são como construir a visão do passado. Não servem para nada.
É fundamental criar cenários matemáticos, mês a mês, do presente para o futuro pretendido, desdobrando estes números que representam o futuro em metas; Isto só é viável com um software de simulação (UEP).
O sistema UEP faz exatamente isto: Permite construir cenários futuros considerando toda e qualquer variável que impacta nos custos e na rentabilidade da empresa: variações no mix produtivo, variação de preços de insumos e matérias-primas, produtos em fase de P&D, processos alternativos, novas aquisições de equipamentos, projetos kaizen, substituição de operações manuais por automatizadas, etc.
Somente após estas etapas será possível montar os respectivos planos de ação com base nas informações obtidas do simulador de cenários.
Evidentemente, quanto maior a diferença entre o modelo matemático atual e o desejado e quanto menor o tempo entre este futuro e o dia de hoje, mais agressivas estas metas serão e possivelmente mais esforço financeiro será exigido para que a visão ocorra.
Sua empresa é e sempre será um modelo matemático.

A diferença que reside entre as empresas que já compreenderam este conceito e as que vivem filosofando apenas em cima de frases e conceitos abstratos de pouco ou nenhum efeito prático se chama competitividade.

http://www.tecnosulconsulting.com.br/2009/userfiles/Tecnonews_Julho_2011.pdf

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mintzberg: O melhor Caminho para a Construção da Estratégia Corporativa

Por KARL MOORE e PHIL LENIR


Há alguns meses dediquei minha coluna a uma discussão sobre as diferenças entre os conceitos de Michael Porter de “estratégia deliberada” versus Henry Mintzberg “estratégia emergente.” Por mais que eu tenha confiado em Porter para guiar a minha própria carreira na IBM, em Oxford e na LBS, minha nova conclusão é que o mundo não é mais confiável, consistente, ou previsível o suficiente para que os líderes se baseiem apenas em planejamento estratégico deliberado. Flexibilidade estratégica é agora um requisito para as organizações e isso sugere, como eu escrevi, que a “estratégia emergente de Mintzberg está em ascensão.” O que isso significa na prática para os executivos que “fazem a estratégia”?

Desde então, eu e o meu amigo e ex-aluno Phil LeNir temos provocado alguns pensamentos sobre essa justaposição, de Porter contra Mintzberg, e suas implicações para as organizações. Estamos vendo uma grande diminuição do número de executivos que vão para resorts de luxo para falar sobre as 5 Forças de Porter e assim, criar um plano de ação para os próximos 2, 3 ou 5 anos. Então como é que a estratégia está sendo realizada?

 O que está claro para nós é que a estratégia emergente precisa de um modelo de operação completamente diferente do usual, no qual toda a organização desempenha um papel. Os gestores em todos os níveis, e talvez até mesmo os funcionários, devem alimentar conversas estratégicas, além de compartilhar seus conhecimentos e experiências sobre o que eles estão enfrentando com clientes e fornecedores, e até as tendências que visualizam no mercado. A estratégia emergente é, portanto, muito mais exploratória, dinâmica e organicamente criada dentro da organização.

Isso faz com que as empresas tenham a necessidade de se tornar organizações voltadas ao aprendizado. Nós sabemos que estamos ouvindo sobre esse tema por mais de uma década, mas o aprendizado emergente como fortalecedor da estratégia emergente, faz mais sentido do que nunca. Se a realidade está em constante mudança, a empresa não pode parar de analisar, acessar, e planejar para manter ou se antecipar a essas mudanças. Nós temos que admitir, Henry parece ter visto que isso iria acontecer há anos atrás, quando escreveu, “A verdadeira mudança na construção de estratégias está em detectar as descontinuidades sutis, que podem prejudicar um negócio no futuro. E para isso, não há nenhuma técnica e nenhum programa, há apenas uma mente afiada em contato com a situação.”.

A maneira na qual precisamos interpretar isso atualmente é que as organizações precisam de muitas mentes afiadas – e não apenas na alta gestão. Gestores intermediários – pessoas que comandam as linhas de frente da força de trabalho da organização e tem estão onde a ação e o negócio acontecem – devem ser líderes que estão constantemente se comunicando, aprendendo e inovando. Eu sei que Henry concorda plenamente com isso, uma vez que ele descreveu e fez dos papéis dos gestores intermediários umas de suas maiores premissas nos seus ensinamentos.

Nós estamos em um momento, em que o ritmo da mudança está modificando a essência da pessoa organizacional. Claro que precisamos de grandes CEOs e líderes, mas basicamente, é hora de admitir que para diversas organizações a hierarquia, estrutura de comando de cima para baixo, autoritária é uma fórmula do passado – assim como a ideia de que a estratégia da empresa pode ser estabelecida com anos de antecedência.

Para algumas pessoas isso é excitante, enquanto para outros, torna-se assustador. Mas nós precisamos nos acostumar com a ideia de que em um mundo emergente, as organizações que se sairão melhor serão aquelas que aprenderem a aprender melhor, e então colocarão os seus esforços, não para construir grandes estruturas de comando, mas sim estruturas de aprendizado, que significa criar um ambiente que dê suporte ao aprendizado de todos, especialmente dos gestores intermediários. Eles são pessoas que precisam, constantemente, desenvolver suas habilidades, enfrentar novos assuntos, desafiando-se com novos conhecimentos e dominando novas maneiras de pensar e agir.

Nós não estamos sugerindo que as empresas devam gastar muito dinheiro enviando os seus gestores intermediários programas de aprendizagem ou em treinamentos gerenciais. O tipo de aprendizagem sobre o qual estamos falando pode ser feito no ambiente de trabalho, como parte e parcela das suas atividades usuais, através de “eventos de aprendizagem” sociais e colaborativos, como workshops para troca de conhecimento e pequenos cursos com tópicos relevantes para o momento.

É um aprendizado “just-in-time” – em que grupos de gestores intermediários percebem que eles possuem a necessidade de aprender sobre algo, e então concordam em se encontrar para discutir um tópico, aprender novos conceitos e pontos de vista, compartilhar seu próprio conhecimento e experiência, e depois, levarem o conhecimento adquirido diretamente para o seu trabalho, onde eles o aplicam imediatamente. O seu sucesso em seguida, atravessa horizontalmente para os outros gestores em outros departamentos ou divisões, e talvez possa também subir a hierarquia e chegar à alta gestão, que pode comprar essa mudança e incorporá-la em uma visão mais ampla de estratégia. É dessa forma que o aprendizado emergente torna-se uma estratégia emergente.

Michael Beer, de Harvard, argumentou que algumas das mais poderosas ideias de mudança em uma organização vêm dos gestores que trabalham diretamente com os problemas reais do negócio, e que atravessam as suas funções, para conjuntamente resolver esses problemas. Os executivos deveriam então adotar alguma dessas inovações e espalha-las por toda a organização, levando a uma mudança real e emergentel.

O queremos dizer é que é precisamente esse estilo de aprendizagem e estratégia que a “Geração Y” adora, geração que não quer ser liderada ou gerenciada, mas quer sim “trabalhar em conjunto”. Mas a força do aprendizado emergente não é devido a uma lacuna entre gerações. Mesmo sem a Geração Y por perto, é isso que as organizações precisam fazer, porque esse um mundo completamente novo, no qual ser capaz de pensar e agir rápido é a chave para a sobrevivência estratégica.

Phil Lenir é o presidente da CoachingOurselves International, uma organização que ele fundou juntamente com Henry Minztberg, a qual usa uma abordagem “just-in-time” da aprendizagem para times de gestores, baseada na discussão e reflexão em grupo e guiada por tópicos em gestão escritos por gurus como Goldsmith, Kotler, Mintzberg, Schein, Semler Ulrich, Moore, e muitos outros.

No Brasil, o CoachingOurselves é distribuído e comercializado exclusivamente pelo Grupo A Educação. Para saber mais sobre a metodologia e solicitar uma proposta comercial entre em contato no e-mail coachingourselves@grupoa.com.br

http://www.coachingourselves.com.br/blog/clipping/mintzberg-o-melhor-caminho-para-a-construcao-da-estrategia-corporativa

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Como criar uma cultura de inovação na sua empresa

Estimular o trabalho coletivamente e tolerar erros fazem parte do processo de inovação

Priscila Zuini, de Exame.com

O americano Thomas Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos, levou anos e mais de mil tentativas para chegar à sua maior inovação, a lâmpada. Entre erros e acertos, Edison é um exemplo de como as empresas – inclusive a que ele ajudou a fundar, a GE– agem quando o assunto é inovação. “Não ter medo de errar é essencial para desenvolver a inovação. Afinal, ideias novas preveem um risco e as pessoas precisam acreditar nisso”, diz Paulo Sérgio Quartiermeister, diretor do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM.

A exemplo de gigantes como Apple, Google e Microsoft, eleitas as mais inovadoras pelo Boston Consulting Group, as pequenas e médias empresas também podem desenvolver uma cultura de inovação no ambiente de trabalho que vai ajudar o negócio a se consolidar e crescer de maneira inovadora. “As PMEs já têm algo a favor para desenvolver uma cultura de inovação: o ambiente informal”, opina Henrique Barros, professor de gestão da inovação do Insper.

Mesmo assim, não basta desenvolver a equipe se o propietário do negócio não tiver faro para mudar e fazer coisas novas. “A cultura de inovação de uma empresa pequena tem muito a ver com o dono”, explica Evandro Paes dos Reis, professor de empreendedorismo e inovação da Business School São Paulo (BSP). “É um processo que não tem começo, meio e fim. As empresas realmente inovadoras tratam inovação como fonte de vantagem competitiva a longo prazo”, acrescenta Quartiermeister.

Confira a seguir seis dicas dos especialistas para desenvolver uma cultura de inovação na sua empresa.

Não confunda inovação e novidade
Implantar uma coisa nova na empresa não significa que ela seja inovadora. “Inovação é diferente de novidade. As pequenas empresas têm muita sede de buscar coisas novas. Inovação é fruto de processos e nessas empresas eles nem sempre estão bem definidos”, define Reis. Para não confundir, lembre-se que inovação parte do princípio de que existe um objetivo a ser alcançado. Para isso, existe um cronograma e pontos de checagem, que definem a direção e a velocidade certas para chegar ao resultado esperado.

Espalhe a inovação
Além de estar no DNA do empreendedor, a inovação precisa estar em todo canto da empresa. “Basicamente, o líder precisa ser inovador e passar esse exemplo”, explica o professor da BSP. Para o diretor da ESPM, até o site da empresa precisa transbordar inovação. “Se não houver sinais de produtos e serviços inovadores, a empresa ainda não está 100% preparada para inovar”, explica.

Tenha um “diretor de fracasso”
Saber tolerar e lidar com erros é fundamental. Como Thomas Edison já comprovou, a inovação não é resultado de uma tentativa única. “O erro faz parte do processo de inovação. Tolere-o porque testar algo novo não pode ser penalizado”, diz Barros. É claro que nem todos os erros podem servir de aprendizado. “Para a empresa menor, o risco pode significar a vida. A menor perda é a primeira e mais do que coragem para começar, é preciso saber a hora de parar”, opina Reis.

Estimule a coletividade
Um ambiente de trabalho informal, claro e alegre é ponto positivo para que as pessoas se sintam estimuladas a inovar. “Você percebe no ambiente físico quando a empresa é inovadora. As pessoas trocam ideias e não tem medo de arriscar. A rotina precisa ter inovação”, defende Quartiermeister. “Dê incentivos para as pessoas trabalharem coletivamente. Instigue novas formas de inovação, como mexer em processos e na forma como as coisas são realizadas”, sugere Barros, do Insper.

Saiba escutar
Quando o dono da empresa é também quem controla as decisões do negócio, pode ser difícil conseguir inovar. Por isso, mesmo com uma rotina cheia de compromissos, o empreendedor precisar dar espaço para a colaboração externa. “Trocar ideias é essencial. A inovação não acontece de forma individual, precisa de um terreno fértil para brotar e as pessoas precisam estar envolvidas nisso”, explica Quartiermeister. “Tenha humildade de escutar. Uma grande empresa cria mecanismos para dar voz, e a pequena, não”, diz Reis.

Tenha métricas de inovação
Mais do que seguir todas essas dicas, é preciso saber medir como isso afeta, de fato, o seu negócio. “Olhe os resultados da empresa em termos de inovação. É importante medir o que sua empresa consegue por causa da inovação. Saiba qual a porcentagem das vendas vem de produtos lançados nos últimos três ou cinco anos e envolva a empresa inteira nisso”, ensina o diretor da ESPM.

http://exame.abril.com.br/pme/noticias/como-criar-uma-cultura-de-inovacao-na-sua-empresa?page=1&slug_name=como-criar-uma-cultura-de-inovacao-na-sua-empresa

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Produção Bibliográfica - Trabalhos publicados em eventos e revistas

Estes são os liks para os artigos científicos que publiquei em eventos ou revistas especializadas, nos quais fui autor ou co-autor.


Atendimento pelo SUS: Realidades de um Hospital Filantrópico. [Caso de Ensino]. 
Autores: BERNARDES, J.G., ALBA, G.
Local da Publicação: Revista Brasileira de Casos de Ensino em Administração, Vol. 1, No 1: janeiro-junho 2011 ISSN 2179-135X. 
Link: http://www.fgv.br/gvcasos/

Avaliação de Custos Na Gestão Ambiental em Um Hospital de Médio Porte: Um Estudo de Caso. 
Autores: BERNARDES, J.G.; GASPARIN, F.M.; CAMARGO, M.E.; ROCHA, J.M. 
Local da Publicação: XII ENGEMA – Encontro Internacional Sobre a Gestão Empresarial e Meio Ambiente. São Paulo – SP. 2010. 
link: http://www.engema.org.br/Resultados/artigos102010/9.pdf

Relacionamento Entre Certificações de Qualidade e Valor Percebido: Estudo de Caso em Um Hospital de Médio Porte
Autores: BERNARDES, J.G.; CASTILHOS, J.T.; BARCELLOS, P.F.P. 
Local da Publicação: XVII SIMPEP - Simpósio de Engenharia de Produção. Bauru – SP. Novembro 2010. 
Link: http://www.simpep.feb.unesp.br/anais_simpep.php?e=5

Gerenciamento de Hospitais Filantrópicos: Confronto Entre a Técnica Médica, o Poder Político e a Administração Hospitalar. 
Autores: BERNARDES, J.G.; CASTILHOS, J.T.; DORION, E.; CAMARGO, M.E. 
Local da Publicação: VII SEGET - Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Resende – RJ. Outubro 2010. 
Link: http://www.aedb.br/seget/artigos10/237_Gerenciamento%20de%20Hospitais%20Filantropicos%20-%20SEGET.pdf

Motivação do Trabalhador: Estudo de Caso em um Hospital Filantrópico. 
Autores: BERNARDES, J.G.; BARCELLOS, P.F.P.; CAMARGO, M.E. 
Local da Publicação: VII SEGET - Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Resende – RJ. Outubro 2010. 
Link: http://www.aedb.br/seget/artigos10/237_0%20que%20motiva%20os%20trabalhadores%20SEGET.pdf

A Cadeia de Valor de Um Hospital Filantrópico: Um Estudo de Caso. 
Autores: BERNARDES, J. G.; GASPARIN, F. M.; MALAFAIA, G.C. 
Local da Publicação: XXX ENEGEP - Encontro Nacional de Engenharia de Produção, São Carlos – SP, Outubro 2010. 
Link: http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2010_TN_STO_119_779_14867.pdf

Empreendedorismo no Currículo de Administração das Instituições de Ensino Superior do Rio Grande do Sul. 
Autores: ALBA, G.; BERNARDES, J. G.; TOIGO, T.; FORTES, V.; DORION, E. 
Local da Publicação: VI SEGET - Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Resende – RJ. Outubro 2009. 
Link: http://www.aedb.br/seget/artigos2009.php?pag=79

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Parcerias entre hospitais e empresas são benéficas para o setor

Por Maria Carolina Buriti | Revista Fornecedores Hospitalares
Muitas vezes citado como motivo de desentendimentos, culpado por produtos ou serviços problemáticos, por falta de suporte técnico ou treinamentos de baixa qualidade e até a falta deles, o fornecedor, queira a empresa ou não, faz parte do cotidiano daquele ambiente, seja com a própria comercialização do produto e serviço, com funcionários terceirizados trabalhando na organização ou mesmo na hora de apresentar cases para futuros clientes. No hospital, isso não é diferente. E com tantas empresas oferecendo produtos e serviços específicos para um setor em desenvolvimento constante e concorrência acirrada, ganha aquele que se mostra um verdadeiro parceiro, andando de mãos dadas com seu cliente e deixando para trás aquelas que preferem ficar de “braços cruzados”.
De acordo com um estudo realizado, em 2009, pelo Sebrae envolvendo 4.200 micro e pequenas empresas e intitulado “Inovação e competitividade nas MPEs”, 25% dos entrevistados introduziram um novo método ou processo e 24% adotaram um novo produto ou serviço, nos 12 meses anteriores da realização da pesquisa. O documento aponta que a segunda fonte principal que as companhias usam para se manter informadas sobre inovações de produto, processo ou mercado são os fornecedores, atrás apenas da internet.
“A inovação tecnológica ou inovação de maneira geral, não pressupõe algor novo, às vezes é algo corriqueiro e adaptado em outro lugar”, explica o professor de microeconomia da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Barrionuevo, sobre os processos criados em determinado setor da economia, posteriormente adotados e adaptados para desenvolver outros segmentos.
Gestão
Esse foi o caso da metodologia Six Sigma, desenvolvida pela Motorola para  aprimorar as práticas de gestão da organização. Trata-se de um conjunto de ações que aplicadas a indicadores resultam em melhoria da gestão com a redução de desperdícios,reestruturação de processos e uma nova visão sobre os procedimentos internos.
 Hoje, a metodologia é difundida em vários setores da economia e muitas companhias já adotam o conjunto de práticas. Uma delas é a White Martins, empresa de gases industriais e medicinais, que incorporou o método há cerca de 10 anos. Para implantar o conjunto de ações é preciso treinar pessoas e a companhia capacitou executivos nas modalidades Black Belt, Green Belt e no Lean- metodologia desenvolvida pela Toyota, que visa a diminuição de gargalos da produção, redução tempo, equipamentos e materiais.
O conjunto de processos bastante difundidos na indústria ainda é um desconhecido do âmbito hospitalar, foi isso que a White Martins constatou ao conversar com seus clientes. “No mercado, verificamos que ela é muito utilizada na área indústria, mas na saúde, só recentemente foi utilizada. Conversamos com alguns diretores dos hospitais e percebemos o interesse no assunto”, conta o diretor de desenvolvimento medicinal da companhia, Jorge Reis.
O pontapé inicial do projeto foi feito no Saúde Business Forum 2010, com a divulgação da metodologia para os gestores de hospitais. Reis conta que para se ter aderência do projeto é preciso conquistar o alto escalão das entidades. “Para funcionar essa metodologia é fundamental que exista o apoio da alta direção do hospital”.
Um dos hospitais que já fizeram o treinamento com a White Martins é o Hospital Brasília. O gerente clínico, Sérgio Fernandes, fez o curso de Green Belt e garante que hoje tem um novo olhar sobre os indicadores de gestão. Segundo ele, a metodologia implica em identificar três desvios padrões abaixo da média e três desvios padrões acima da média. “É preciso ter controle de 99% das ações e é muito difícil chegar nesse nível por processo”, conta.
Caso Fernandes fosse procurar o curso no mercado, teria que desembolsar cerca de R$ 8 mil, mas como o treinamento é oferecido por um parceiro, é gratuito. O curso é ministrado por colaboradores da própria White Martins, que possuem o certificado master nos módulos e custos como passagem aérea e deslocamento também entram na conta da empresa de gases medicinais.
Alavanca
As grandes empresas, de certa forma, acabam puxando as menores em direção ao crescimento, e não há desenvolvimento sustentável sem boa gestão. É o que explica a professora da FIA, Dariane Castanheira.  “É um processo novo que tende a crescer. 95% das empresas, em média no Brasil, são médias, pequenas e micro. As maiores têm interesse que elas cresçam e os hospitais não deixam de ser pequenas e médias empresas”.
A professora cita alguns casos em que companhias de grande porte oferecem consultorias e treinamentos para suas parceiras, na maioria das vezes, empresas menores. Com uma construtora, por exemplo, que oferece treinamento de gestão financeira para as incorporadoras parceiras. O objetivo é claro: com o controle financeiro a empresa menor honra seus pagamentos, executa o trabalho e não prejudica a imagem nem os negócios da grande empresa. Mas o fato é que esse conhecimento, uma vez adquirido pode ser repassado para negócios futuros atrelados à construtora ou não, e isso contribui para o desenvolvimento das pequenas empresas.
No caso da White Martins, o treinamento não está atrelado ao “core business” da  empresa, mas em longo prazo ela colhe resultados do investimento. “Esperamos que, utilizando essa metodologia, os hospitais possam reduzir desperdícios e fazer novos investimentos em leitos e novos hospitais, e com isso surge oportunidade para a nossa empresa”, explica Reis.
Segundo o professor Barrionuevo, esse processo de parcerias que contribuem para o desenvolvimento é comum na indústria de bens de capital. No setor de saúde, ele é um processo peculiar dado as características do setor, pois a maior parte dos hospitais começou de maneira familiar, e às vezes, isso não vem acompanhado de boas práticas de administração. “O que acontece é que quando se tem boas práticas de gestão, a parceria com fornecedores ajuda e os fabricantes têm interesse em conhecer os hospitais.”
E esse conhecimento é estratégico, ainda mais no universo hospitalar com entidades em diferentes graus de desenvolvimento, umas com gestão familiar, outras com processos profissionalizados, de caráter público, filantrópico, universitário e vinculados a operadoras. Há informações valiosas.
“Embora a gente ofereça isso gratuitamente, o retorno é muito interessante. Em qualquer treinamento se está passando conhecimento, mas também se aprende muito no hospital e saímos fortalecidos. Aprendemos muitas coisas sobre as operações dos hospitais e a gestão nos hospitais”, analisa Reis.
Relacionamento
Em um ambiente que se transpira ciência e inovação como os hospitais, as parcerias vão além das alianças num processo de gestão ou treinamento, e colaboram em novas invenções. No Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, 10 produtos criados em parceria já estão em uso no mercado.
De maneira geral, são produtos que já foram aprovados e registrados, mas que sofrem algum tipo de adaptação. “A grande maioria já são fornecedores. Para fazer isso tem que ter confiança e ter empresa que é parceira ajuda muito”, conta o diretor-superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Luiz Vicente Rizzo.
O executivo não revela o nome das invenções, pois há um contrato sigiloso entre os parceiros e o instituto, mas revela que os produtos vão desde equipamentos presentes em Unidades de Terapias Intensiva (UTI) até áreas como fisioterapia. Há demanda das empresas para testar produtos e desenvolvê-los nos hospitais, que são um ambiente propício para teste. O Centro de Inovação Tecnológica, responsável pela parte legal do trabalho entre parceiro e hospital e braço do Instituto do Einstein tem uma procura de três a quatro projetos por mês.
Foi com uma amizade entre parceiros e uma boa relação com o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que foi possível desenvolver o “Tele-eletrocardiograma”, tecnologia de transmissão via telefonia celular que transmite exames cardíacos, sem interferência sonora. A parceria entre o Instituto e a Cardioweb, e desta última com a empresa de tecnologia DevPartner, permitiu a adaptação ao eletrocardiograma, eliminando filas e resultando em um projeto inovador- reconhecido pelo Prêmio Mário Covas em Inovação na edição de 2011.
A inovação, como pontuou o professor Barrionuevo, às vezes é só uma adaptação de algo já existente em um outro setor e de outra forma. No caso do Tele-eletrocardiograma, a ideia de tornar o processo de agendamento de exames mais rápido e eficientes, economizando tempo, recursos e salvando vidas. O sistema está funcionado desde 2008, mas até operar sem erros houve um ano de testes.
Referência nacional em cardiologia, o Instituto Dante Pazzanese centralizava grande quantidade de exames cardiológicos. Os pacientes chegavam  à instituição vindos de vários bairros da capital e cidades do Estado de São Paulo. O processo não era eficiente: com a guia na mão, eles marcavam para fazer o exame, depois marcavam para buscá-lo e em um terceiro momento agendavam o retorno com o médico de sua região. Esse processo, além de não ser rápido e tão pouco eficaz quando se trata de saúde, onerava as prefeituras e os pacientes”, é o que conta Faustino França, responsável pelo projeto no Instituto Dante Pazzanese. Dentro dessas etapas estavam embutidos custo com hospedagem e deslocamento do paciente e em casos agravados pela demora no agendamento, se coloca na conta o custo das prefeituras com ambulâncias, por exemplo.
O equipamento adaptado custa em média R$8 mil, a Cardioweb desenvolve um teclado próprio para o eletrocardiograma, que solicita informações como número do registro do paciente, sexo, idade, peso – o exame é realizado pode ser realizado por um clínico geral em uma unidade que contenha o aparelho, as informações são transmitidas via celular para a Central de Laudos do Instituto Dante Pazzanese e ao abrir o exame, o médico cardiologista do hospital utiliza a interface e a tecnologia da DevPartner.
“A internet só é usada para entrar em contato com a DevPartner, decodificar o sinal para se analisar o exame”, explica França. Depois de avaliado é transmitido de volta ao posto base e impresso com o parecer de um cardiologista do Dante.
A central de laudos realiza em média 500 análises por dia, 24 horas e que podem ter sido enviadas de qualquer um dos 78 pontos em hospitais públicos , ambulatórios e postos de saúde do Estado de São Paulo. “Isso salva vidas”, diz França. Uma vez que não há necessidade de um cardiologista para avaliar o exame e apenas um clínico-geral pode realizá-lo enviá-lo para a central de laudos do Dante e ter o diagnóstico de um especialista em no máximo uma hora.
Até o final de 2011, o projeto pretende alcançar 200 pontos em todo o Estado de São Paulo e em um segundo momento a ideia é vender o projeto para instituições. O projeto como um todo custa além do valor do equipamento. Gastos com servidor e até com papel para impressão do exame são arcados pela Secretaria Estadual de Saúde via repasse feito ao Instituto Dante Pazzanese.
Quem ganha?
Seja uma parceria que contribua na gestão da empresa, como a White Martins, ou que envolva um processo colaborativo como o Hospital Albert Einstein e Dante Pazzanese, o fato é caminhar de mãos dadas com o fornecedor pode resultar em boas ideias e melhorias para os pares.
 “Esse relacionamento é muito positivo, as indústrias de modo geral não têm a qualidade de avaliação que o hospital tem. Os processos no hospital são feitos com muita qualidade. Quem vai usar é muito diferente de quem desenvolveu, não só da indústria, mas também para o paciente”, diz Rizzo.
Para Dariane, da FIA, o interesse da empresa vai além de simplesmente ajudar o parceiro “Isso está no plano estratégico para faturar mais. Sempre tem um interesse por trás, esse gasto quando vai por nos informativos, nas despesas de marketing”.
A White Martins tem percebido a grande procura dos hospitais – clientes em fazer os treinamentos, que já ocorreram em cinco hospitais e tem previsão de ocorrer mais três ou quatro agendados para os próximos. Pelo menos no Hospital Brasília, a ação já gerou uma boa impressão. “O relacionamento que se mantém com a White Martins é agregador. Eu sei que eles querem crescer juntos com a gente”, diz Fernandes.
http://saudeweb.com.br/21979/parcerias-entre-hospitais-e-empresas-sao-beneficas-para-o-setor/

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Abordagem Sistêmica e Gestão por Processos

A idéia de escrever esse artigo surgiu da vontade de levantar algumas questões sobre a importância da abordagem sistêmica junto aos leitores que hoje estão envolvidos, seja pela tecnologia da informação ou por meio da gestão, com o mundo dos processos empresariais. 
Introdução

BPMN, BPM, BPMS, BPEL e outras ferramentas e metodologias tão importantes para o modelo de gestão por processos têm sido muito discutidas ultimamente pelas Organizações. Entretanto não podemos nos deter somente nos assuntos tecnológicos e esquecer alguns aspectos organizacionais que se deixados de lado podem levar ao fracasso qualquer iniciativa de alteração no modelo de gestão.

Queremos provocar aqui reflexões sobre a estreita ligação entre a gestão por processos e a Teoria Geral dos Sistemas e o Pensamento Sistêmico, os quais deveriam ser o alicerce para as Organizações que já iniciaram ou pretendem iniciar atividades em BPM (Business Process Management).

Abordagem sistêmica

 

Organizações que ainda não partiram para uma abordagem por processos tendem a conviver com problemas que dificilmente poderão ser mapeados, pois são aqueles que permeiam as lacunas deixadas pela abordagem funcional.

A Organização funcional contribui para formação de feudos, desequilibra fluxo entre atividades, contribui para uma qualidade de informação inadequada, dificultando a comunicação na empresas.

As premissas da Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig Von Bertalanffy são de que sistemas existem dentro de sistemas, realizando troca infinita com o ambiente no qual estão inseridos, influenciando e sendo influenciados por ele, logo as funções de um sistema dependem da sua estrutura. Bertalanffy diz que a análise do todo é diferente da análise de cada parte, pois quando analisamos cada parte não colocamos foco nas suas interações. Segundo a Teoria Geral dos Sistemas, a natureza não está dividida em áreas, o que faz com que muitos princípios e conclusões de algumas ciências também tenham validade para outras.

Este conceito também pode ser aplicado às Organizações, que assim como a natureza não podem ser divididas em partes isoladas e nem podem se isolar dentro de si mesmas. Atualmente, ser sustentável passa por entender a si e ao ambiente externo, suas mudanças, as exigências atuais da sociedade e do meio ambiente, levando as Organizações para uma análise bastante importante: das interações existentes entre seus subsistemas e entre ela e o meio onde está inserida.

Buscando o conceito de "sistema" podemos dizer que este pode ser definido como um conjunto de elementos inter-relacionados que interagem no desempenho de uma função.Toda Organização é, a princípio, um Sistema (segundo a Teoria Geral dos Sistemas) e o que relaciona os elementos de uma Organização são as pessoas e os processos executados por elas.

Anthony Stafford Beer definiu a cibernética como a ciência da organização eficaz. Ele postula que as organizações são como pessoas; têm um "cérebro" e um sistema nervoso central. Segundo o autor, muitos dos problemas empresariais justificam-se pela incompreensão clara de como seus sistemas funcionam.

Será preciso cada vez mais estudar e entender o conceito de totalidade, pois uma ação que produz mudança em uma das unidades pode produzir mudanças em todas as outras.

Gestão por Processos e Abordagem Sistêmica

Organizações que funcionam como sistemas fechados, segundo a termodinâmica, estão no estado final de sua evolução, o ponto no qual o sistema esgotou a sua capacidade de mudar. Seus subsistemas não interagem e ela não interage com o meio externoperdendo dessa forma sua flexibilidade e capacidade de adaptação.

As estruturas funcionais são rígidas e pesadas, suas atividades são controladas por níveis hierárquicos, ao contrário da visão horizontal (por processos) que valoriza o trabalho em equipe e onde todos trabalham voltados para o objetivo final: o produto do processo. Analisando isoladamente áreas e/ou departamentos a Organização não analisa as interações entre elas e o impacto que cada uma exerce nas outras.

Sem conhecer seus processos de negócio através de uma abordagem sistêmica, dificilmente uma Organização terá sucesso na conquista de seus objetivos. Melhorar o "todo" significa melhorar cada parte de forma harmônica. Segundo Howard Smith e Peter Fingar, atualmente o que conta é o que acontece fora da Organização e a habilidade dela de sentir e responder.Peter Senge, autor de A Quinta Disciplina, diz que para compreender as questões gerenciais mais complexas é preciso ver o sistema inteiro e conta uma fábula muçulmana: Três homens cegos encontraram um elefante. "É uma coisa grande e áspera, larga e ampla, como um tapete", disse o primeiro, segurando uma das orelhas. O segundo, segurando a tromba, disse: "Eu sei o que é isso: é um tubo reto e oco". E o terceiro, segurando uma perna dianteira, disse: "É sólido e firme, como uma coluna". A fábula termina com uma observação interessante: "O raciocínio desses homens jamais deixará que saibam o que é um elefante".

Abordar por processos significa derrubar as fronteiras funcionais e caminhar em busca da eficiência e eficácia, tendo sempre as necessidades do cliente como referencial absoluto. Significa desenvolver pensamento sistêmico na organização, significa desenvolver visão de totalidade, significa abandonar o pensamento linear e trabalhar os círculos de influência.

Uma atividade fundamental da gestão por processos é a análise da cadeia de valor de uma Organização que já traz em si um grande processo de aprendizado. Ao realizar esta análise a Organização coloca foco nos processos que agregam valor para entrega do produto final, separando-os dos processos de suporte.

Avançando um pouco mais na gestão por processos e na abordagem sistêmica, a Organização analisa e estabelece seus objetivos estratégicos e, com base neles, prioriza os processos críticos da sua cadeia de valor e determina os indicadores que lhe permitirão a medição de desempenho e implantação de processo de melhoria contínua.

Conclusão

Organizando-se por processos as empresas deixam de estar centradas em si mesmas e mudam foco para o cliente externo e todas as partes interessadas. Dessa forma, as Organizações passam também a considerar o ambiente no qual elas estão inseridas, discutindo estrategicamente questões sobre meio ambiente e responsabilidade social fundamentais para a conquista da sustentabilidade.

Conhecer como cada processo impacta no todo e como o desempenho de cada um deles permitirá agregar maior valor para o cliente, atualmente é um diferencial competitivo nas Organizações. Atualmente, diante de um cenário cada vez mais competitivo entender e desempenhar cada função com eficiência já não é mais suficiente para obter sucesso. Algo mais se faz necessário.

Somos sistemas, vivemos em sistemas, trabalhamos em sistemas e somos formados por sistemas esse é o entendimento que devemos desenvolver e assegurar.

Referência Bibliográfica :


HOWARD Smith; FINGAR Peter. Business process management : the third wave. Meghan-Kiffer Press, 2003.
PETERS, Tom. Reimagine. Tradução: Bázan Tecnologia e Linguística, 2004.
SPANYI, Andrew.Business process Management  is a team sport. Anclote Press,2003.
WALTON, Mary R. O método Deming de Administração. Tradução José Ricardo Brandão Azevedo.  Editora Marques-Saraiva, 1989.
PISTORE, Adriano. Ludwig Von Bertalanfy e a Teoria Geral dos Sistemas.
SENGE, Peter M. A quinta disciplina. Best Seller, 2006.

Texto originalmente publicado no site do Forum Brasileiro de Processos: http://www.fbp.org.br/v2/artigos/GetArtigo.asp?t=ABORDAGEM_SIST%CAMICA_E_GEST%C3O_POR_PROCESSOS&ID=83