quarta-feira, 4 de maio de 2016

Lean é simples. Mas como é difícil ser simples!

Por Flávio A. Picchi
Vice-presidente do Lean Institute Brasil

Parafraseamos o gênio do futebol Johan Cruyff, falecido recentemente, que dizia: “jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há”. Lean também é antes de tudo simplicidade, mas vemos muitas transformações se afastarem dessa essência, mantendo ou até criando complexidade desnecessária. Por que isso acontece? Como fugir dessa armadilha?

Quando perguntado sobre o que estava fazendo, no início do desenvolvimento do STP (Sistema Toyota de Produção, base do lean), Taiichi Ohno respondeu: “tudo que estamos fazendo é reduzir o tempo entre o pedido do cliente e o recebimento do pagamento, através da redução do que não agrega valor”.

De fato, a filosofia lean pode ser definida de maneira simples. Ex.: é um sistema que visa estabelecer fluxos diretos que maximizem o valor para o cliente; sua premissa de gestão fundamental se baseia em expor e resolver problemas rapidamente, por todos os níveis da organização. Todo o resto pode ser entendido como decorrência disso.

Na essência, os princípios lean são simples e lógicos e buscam a simplicidade como forma de eliminar desperdícios e entregar valor aos clientes. Mas colocá-los em prática não é nada trivial. Não conseguir se livrar dos tradicionais processos e sistemas de gestão complicados é uma das principais causas de insucesso de implementações lean.

A primeira grande dificuldade é a mudança do modelo mental predominante. Você já percebeu como, na maioria das empresas, a complexidade é valorizada, ao invés da simplicidade? Talvez essa seja uma das mudanças de paradigma mais difíceis de uma transformação lean.

Os conceitos tradicionais levam, em sua maioria, a uma complexidade cada vez maior. Por exemplo, para programar a produção, o enfoque tradicional usa sistemas MRP, que empurram a produção a partir de previsões de demanda de cada produto, o que sempre gera erros significativos. Não é raro vermos o antigo leiaute funcional, com máquinas de mesma função separadas em setores, o que faz com que os diversos produtos sigam rotas complicadas, com inúmeros pontos de parada. Tudo isso gera enormes estoques de matéria prima em processo e de produtos acabados.

Para lidar com tudo isso, em geral mais complexidade e desperdícios são adicionados, como sofisticados softwares e modelos matemáticos, exércitos de programadores tentando agilizar produtos atrasados, controles de estoque escaneado a cada passo do processo produtivo, sofisticados armazéns automatizados, centenas de empilhadeiras etc. Em ambientes administrativos, o mesmo ocorre, com processos tradicionais fragmentados e tentativas de solução de problemas em geral através da criação de mais burocracia e controles.

Em contraposição, lean parte da definição do tempo takt por família de produtos e estabelece um sistema puxado a partir das demandas reais dos clientes. Organiza células por família de produtos com fluxo direto e lead time reduzido. Propicia a enorme redução dos estoques, possibilitando controles simples e visuais.

Os sistemas de gestão e as estruturas organizacionais também são em geral um emaranhado de silos, com dezenas de indicadores conflitantes, inúmeras reuniões improdutivas para avaliar o desempenho e justificar o não atingimento das metas. Lean desdobra os objetivos do nível estratégico até as células e utiliza o gerenciamento diário para corrigir os desvios assim que ocorram, com apoio da liderança no gemba.

Em algumas empresas, observamos algumas ferramentas lean aplicadas, mas a essência dos conceitos e modelos mentais não muda. Algumas células e kanbans não vão sobreviver por muito tempo em uma empresa que continua predominantemente empurrando a produção. Um bom termômetro para ver se o lean está realmente avançando é observar se os processos e sistemas de gestão estão cada vez mais simples.

Fico admirado quando vejo pessoas fazendo um exercício mental e matemático incrível, tentando mostrar que as antigas soluções complexas não podem ser abandonadas. No campo racional, bastaria que aplicassem um conceito da filosofia da ciência, conhecido como navalha de Occam: "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor". Se aplicássemos um pensamento semelhante aos exemplos acima, certamente concluiríamos que o sistema lean é melhor. Mas é claro que as mudanças de paradigmas pessoais e organizacionais não ocorrem com essa simplicidade.

As resistências que se expressam no campo racional muitas vezes escondem resistências comportamentais. As mudanças decorrentes do pensamento lean trazem insegurança e desconfiança. Será que estávamos todos loucos trabalhando de forma tão complicada, quando poderia ser tão mais simples? Será que esses processos simples darão conta de responder às demandas de negócio, cada vez mais complexas? Vou perder poder se for reduzida toda essa complexidade? Por mais que exemplos de outras empresas possam ser úteis, as pessoas sempre resistirão com o velho escudo: “mas aqui é diferente”.

Lean precisa conquistar não só as mentes, mas também os corações. As pessoas precisam sentir que lean funciona de forma simples no seu ambiente específico. Isso só se consegue com a prática. Por isso são tão importantes as implementações-piloto, os experimentos, as mudanças rápidas e os ciclos sucessivos de PDCA. Sempre alinhados com as necessidades do negócio e o valor para o cliente entregue por cada fluxo de valor.

Uma implementação lean de sucesso exige conhecimento profundo de seus princípios, muita prática, experimentação e ajuste. E uma postura questionadora.

Reflita com seus colegas: a implementação lean na sua empresa está removendo a complexidade desnecessária de seus processos de trabalho e sistemas de gestão?

Se tudo continua muito complicado, algo está errado. Na dúvida, entre duas opções, sejam de leiaute, processos, gerenciamento visual, rotinas de gestão etc, escolha sempre a mais simples.


Texto originalmente publicado em www.lean.org.br

quinta-feira, 17 de março de 2016

Lean Healthcare - Simples assim!

Por Jaime Gil Bernardes

De uma forma visual, tentei explicar o lean para hospitais: Lean Healthcare de uma forma simplificada. SIMPLES ASSIM. Os resultados são fantásticos.



quarta-feira, 9 de março de 2016

25 anos após a publicação de “A Máquina que Mudou o Mundo”, Jim Womack reflete sobre o que está impedindo o lean de avançar


JIM WOMACK - 10/02/2016

YOKOTEN DE WOMACK – Em 10 de outubro de 1990, o livro que introduziu o pensamento lean ao mundo foi publicado. Vinte e cinco anos depois da Máquina, um dos autores reflete sobre o que o movimento lean já alcançou e sobre o que o está desacelerando.

10 de outubro foi o 25º aniversário da publicação de “A Máquina que Mudou o Mundo”. Esse é o livro que Dan Jones, Dan Roos e eu escrevemos em 1990 para explicar para a audiência o novo conceito de produção lean.

Acredito que a Máquina foi o evento inicial para levar o pensamento lean além da indústria automotiva, além do Japão, para todo o mundo. Então achei que seria natural refletir nesta semana sobre o que a Comunidade Lean global alcançou nesses 25 anos.

Certamente, escrevemos muitos livros em diversas línguas, falamos em muitas conferências e tornamos o termo “lean” acessível à maioria das companhias da maioria das indústrias na maioria dos países. Acabei de receber um novo livro de um fazendeiro americano promovendo a “agricultura lean”, o primeiro esforço desse tipo que já vi, e isso me fez pensar se há alguma indústria ou atividade significativa e socialmente útil na qual ainda não entramos (uma vez, recebi uma ligação de um cassino de Las Vegas perguntando sobre jogos de azar lean. Mas acho que jogos de azar são puramente muda, então não retornei a ligação).

Também colocamos muitas ferramentas lean de fluxo de valor em muitas mãos. E, mais recentemente, compartilhamos algumas ferramentas de gestão muito valiosas, notavelmente o planejamento hoshin, a análise A3 e o gerenciamento diário (o último para sustentar os ganhos de melhorias no processo e melhorar continuamente).

Ainda assim, mesmo com todos os nossos esforços, o mundo está apenas modestamente mais lean do que era quando começamos, há um quarto de século. Por que o yokoten – o foco central desta coluna – tem sido tão difícil?

A parte difícil não tem sido as ferramentas, a parte técnica ou gerencial. Elas sempre produzem resultados esplêndidos quando usadas com conhecimento adequado e consistência de propósito. A parte difícil, em minha experiência de muitos anos, é a mentalidade dos gerentes (essa é a base da Estrutura da Transformação Lean, de John Shook, apoiando o propósito, o processo e as pessoas).

Quando começamos nossa jornada, eu simplesmente não percebia que o mundo era um reflexo de Frederick Taylor (mais conhecido por “Princípios de Administração Científica, 1911) e Alfred Sloan (o presidente da General Motors que sintetizou seu pensamento em “Meus Anos com a General Motors”, 1964). Juntos, Taylor e Sloan criaram a gestão moderna, e essa mentalidade é o que fica no caminho de um yokoten mais rápido.

Os princípios-chave desses autores que considero mais prejudiciais são:

- A ideia de Taylor era que a melhoria para as pessoas da linha de frente que criam valor deveria ser feita por especialistas através de programas (o próprio Taylor foi o primeiro consultor de equipes e de um programa compreensivo de transformação).

- A ideia de Sloan era que gerentes de linha podem ser avaliados por indicadores (muitas vezes financeiros) determinados pela alta administração, que não sabe nada sobre o trabalho de criação de valor ou de suas melhorias (“faça seus números”, como passou a ser chamado esse pensamento, é uma ideia viva e presente na Volkswagen atualmente, como escrevi em minha coluna de setembro).

Contraste essas ideias com a principal mentalidade de gestão proposta por Eiji Toyoda, presidente da Toyota nos anos 50 e 60: Todo valor, no final, é resultado de um processo horizontal que acontece em organizações verticais. Então faça os gerentes de linha serem responsáveis por fluxos de valor específicos e peça que melhorem o trabalho de criação de valor por meio de experimentos infindáveis (PDCA no contexto de análise A3). Os gerentes da Toyota chamam isso de “administração por ciência” em vez de Administração Científica.

Para atacar o problema da mentalidade do gerente, estive recentemente envolvido em um experimento de uma companhia para criar uma linha-modelo para um fluxo de valor. Olhando de certa forma, o objetivo é cortar drasticamente o lead-time, diminuir o espaço, o esforço humano, os defeitos e o retrabalho (para sintetizar, para “mostrar o que é bom” para toda a organização). E tenho certeza de que muitos leitores pensam nessas atividades dessa forma quando implementam em linhas-modelos.

Mas o objetivo verdadeiro desse exercício, por minha perspectiva, é expor todas as contradições das mentalidades gerenciais que prevenirão até mesmo a linha-modelo de maior sucesso de ser sustentada:

- Gerentes de linha completamente desconectados do trabalho do fluxo de valor (em vez disso, passam o tempo gerenciando exceções – coisas que fracassaram – e gerentes de níveis mais altos, com seus painéis com muitos indicadores).

- Coaches do processo do departamento de melhoria contínua que acabam fazendo o trabalho de melhoria em vez de perguntar aos gerentes de linha sobre seu fluxo de valor e como planejam melhorá-lo.

- Gerentes seniores tentando gerenciar com indicadores contraditórios que medem departamentos, funções e unidades do negócio verticais em vez do fluxo de valor horizontal (a única unidade organizacional com a qual os clientes se importam).

Sem contramedidas, essas mentalidades modernas de gestão rapidamente transformarão qualquer linha-modelo lean de volta a uma linha de produção em massa, um triste processo que já presenciei muitas vezes. Minha hipótese é a de que as melhores contramedidas focarão diretamente em criar mentalidades que sejam diferentes e lean para a equipe de gestão em todos os níveis.

Recomendo experimentos desse tipo para todo praticante lean – gerente de linha, coach ou consultor externo. Por favor, crie uma linha-modelo para pelo menos uma família de produtos – algo que já é maravilhoso. Mas use esse exercício como um método para diagnosticar os problemas da gestão moderna em sua organização e mostrar como é a gestão lean.

Acho que esse é o próximo passo em direção ao yokoten e espero que muitos praticantes tentem. Entretanto não estou preocupado com o futuro do pensamento lean se isso levar algum tempo e incluir algumas saídas falsas. Aqui está o porquê: Não há falta de desperdício no mundo. Mas há uma falta de valor. As mentalidades e práticas lean, combinadas, fornecem a melhor forma conhecida para converter desperdício em valor. Então pode levar um tempo, mas o lean vencerá no final, quando gerentes modernos gradualmente se cansarem de experimentos mais fáceis que não funcionam ou forem substituídos por gerentes com mentalidade lean.

2040 marcará o 50º aniversário da Máquina, e acho que estarei por aqui por mais 25 anos (terei apenas 92 anos, e tanto o Dr. Deming quanto Eiji Toyoda viveram mais do que isso). O que espero ver? Uma mentalidade de gestão ao redor do mundo que seja lean (isto é, “gestão pós-moderna”, se você preferir), na qual as ferramentas e os métodos lean sejam consistente e sustentavelmente aplicados pelos gerentes de linha lean para reduzir o desperdício em cada atividade de criação de valor. Isso realmente será yokoten.

Texto Original: Planet Lean


Texto em português publicado em: http://www.lean.org.br/artigos/444/25-anos-apos-a-publicacao-de-%E2%80%9Ca-maquina-que-mudou-o-mundo%E2%80%9D,-jim-womack-reflete-sobre-o-que-esta-impedindo-o-lean-de-avancar.aspx

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Implantação de Lean Healthcare no Hospital Consorci Sanitari del Garraf, localidade próxima a Barcelona.

Para quem trabalha com hospitais, vale a pena assistir o "case" de implantação do Lean Healthcare do Consorci Sanitari del Garraf, localidade próxima a Barcelona.
Este "case" mostra os ganhos obtidos e principalmente que é possível, pois os problemas culturais que eles tiveram são muito parecidos com os problemas dos hospitais brasileiros.

Uma força de trabalho extremamente engajada e um compromisso em melhorar o cuidado com o paciente fez do Consorci Sanitari del Garraf um ótimo exemplo de uma área da saúde lean.
Leia o artigo e assista aos vídeos em http://goo.gl/Nrz3fb


 
O texto está em português e os vídeos estão em espanhol com legendas em inglês.

Hospitais filantrópicos precisam investir em gestão, diz especialista

Por Diego Antonelli
Jornal Gazeta do Povo – Curitiba – PR - 10/02/2016

As dificuldades financeiras dos hospitais filantrópicos não podem ser explicadas somente pela defasagem na tabela de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa é a posição do especialista em gestão em Saúde, Jaime Gil Bernardes, mestre em Administração. Segundo ele, é inegável que os valores pagos pelo Ministério da Saúde são baixos, mas outros fatores ligados a dificuldades de gestão hospitalar interferem diretamente no setor, que vive o risco de ter leitos fechados em todo o Brasil. A dívida do setor é de R$ 21 bilhões em todo o país.

Dívidas ameaçam funcionamento de Santas Casas e hospitais filantrópicos - Leia a matéria completa

“Na realidade os baixos valores pagos pelo SUS se tornaram um culturalismo recorrente nos hospitais, uma caixa preta, onde a culpa da má gestão é colocada. Se existe um problema, é mais fácil colocar a culpa no SUS do que arregaçar as mangas e tentar resolver os problemas”, afirma Bernardes.
O primeiro passo para tentar sanar essas dificuldades, alerta o especialista é a profissionalização da parte administrativa. “O setor de faturamento de um hospital é uma das coisas mais complexas que existem. Um erro muito comum na gestão hospitalar é colocar médicos no comando estratégico. Treinamento, liderança, indicadores e outras práticas comum nas empresas parece que estão longe de muitos hospitais no Brasil.”, afirma ele, que ocupou cargo de gestor hospitalar no Rio Grande do Sul.
Segundo ele, há hospitais que possuem uma gestão profissionalizada que conseguem resultado financeiro melhor. “Mas os valores do SUS são os mesmos para estes hospitais e para os outros. Então como é que conseguem? Gestão, gestão, gestão”, aponta.
Vilão
Bernardes afirma ainda que o grande vilão no caixa de um hospital é a quantidade de desperdícios. “Não somente com materiais inutilizados e medicamentos não usados, mas com pessoas caminhando desnecessariamente dentro do hospital, salas cirúrgicas vazias, equipamentos sem manutenção. A literatura já fala, há muito tempo, que 40% dos recursos de um hospital são desperdiçados”, ressalta.

MP acompanha situação de hospitais em Curitiba
A Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública recebeu a informação no fim do ano passado sobre a possibilidade de fechamento de leitos em hospitais filantrópicos do estado, entre eles a Santa Casa de Curitiba. “A Promotoria de Justiça está acompanhando a questão para verificar as providências que serão adotadas pelo gestor público para resolver a situação”, informa em nota o Ministério Público.

Um exemplo de erros de gestão é a Santa Casa de São Paulo. A instituição enfrenta, desde 2014, a maior crise financeira de sua história, com um rombo R$ 773 milhões nas contas. Uma auditoria encomendada pela Secretaria Estadual da Saúde apontou que existia má gestão na Santa Casa. Dentre as irregularidades, o relatório indicou a compra de materiais superfaturados, pagamento de super salários e fraudes em contratações de serviços.
Para os hospitais que já estão endividados a solução, segundo ele, é começar imediatamente um projeto de reestruturação da estratégia e dos processos, “proporcionando que esta dívida não aumente e quem sabe, ao passar do tempo, estas dívidas antigas possam ser negociadas”, diz Jaime Gil Bernardes.
Texto originalmente publicado no Jornal Gazeta do Povo de Curitiba – PR

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/hospitais-filantropicos-precisam-investir-em-gestao-diz-especialista-5gqbsa8x4k6tabbsasiwre6sw

Redução de custos "Lean" e "Não Lean"

Por Simone Espindola de Oliveira
De que jeito sua empresa realiza ações de redução de custos?
Nenhum assunto é mais atual e necessário dentro do ambiente corporativo do que o tema “redução de custos”.
Para as empresas que competem no mercado através de uma estratégia de custos baixos, nada é mais evidente e imprescindível do que este assunto.
No entanto, trabalhar em ações de redução de custos de maneira planejada, orçada, calculando-se os impactos de cada projeto de melhoria nos custos dos produtos e nos resultados globais da empresa é ainda atitude inerente a poucas empresas.
A pró-atividade ainda não faz parte da rotina do dia a dia de muitas empresas. Na realidade, nestas empresas, qualquer ação é tomada apenas quando o ponteiro “resultado” aponta para o vermelho. Neste caso, não adianta reduzir mais nada, os competidores já o fizeram primeiro.
Seria como tentar curar a obesidade mórbida correndo uma maratona. O cidadão deveria ter começado a correr antes de engordar.
Custo é gordura. É impossível uma empresa ser financeiramente saudável e competitiva com o colesterol nas alturas.
O mercado cada vez mais pressiona os preços para baixo e, ao mesmo tempo exige qualidade nos produtos fornecidos.
Em outras palavras, produtos ou serviços, de um modo geral, se aproximam de cada vez mais de uma espécie de commodities do setor secundário ou terciário, com margens unitárias apertadas, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores/prestadores de serviços (competidores) e, em regra, com um nível de qualidade praticamente uniforme.
Existem empresas que, por exemplo, assinam contrato para fornecer produtos para um determinado cliente já prevendo uma redução de preço para os próximos meses.
Neste caso, obviamente, a empresa só tem uma saída: Ou reduz custo de maneira planejada ou desiste! Baixar a qualidade da matéria-prima (custo variável), nestes casos, é praticamente impossível uma vez que o cliente também já coloca no contrato as especificações do produto com todas as suas exigências em relação a matéria-prima dos produtos encomendados.
Logo, se posicionar como competidor em custos e não utilizar ferramentas e algoritmos adequados para medir, rastrear e reduzir estes custos, faz com que este tipo de “competidor” fique em uma posição de extrema fragilidade perante a concorrência que certamente trabalha no seu dia a dia buscando formas de melhorar seus custos e se tornar mais competitiva.
Existem, basicamente, dois tipos de redução de custos:
1. Redução de custos “Não Lean”:
É aquela redução que o cliente percebe, ou seja, aquela que impacta na qualidade, na funcionalidade do produto.
Ela não reduz o colesterol da empresa, ao contrário, tenta emagrecer fazendo com que o cliente corra por ela, ou melhor, pague por sua ineficiência.
Por ex.: Reduzir o número de metros do rolo do papel higiênico, reduzir o tamanho do pacote de biscoito, diminuir a quantidade de refrigerante da garrafinha, reduzir o comprimento da camiseta ou piorar a qualidade do produto.
Qualquer pessoa com mais de 15 anos consegue elencar uma série de produtos que pioraram a qualidade da matéria prima do produto ou a quantidade unitária da embalagem ao longo do tempo.
Este tipo de redução de custo é normalmente feita somente em cima do custo variável, ou melhor, focando apenas no custo de matéria-prima.
Há ainda casos piores como as empresas que ainda acreditam que reduzir custos reside no corte do cafezinho, na demissão da secretária ou na baixa qualidade do refeitório.
2. Redução de custos “inteligente” ou redução de custos “Lean”:
É a aquela redução que o cliente não percebe. Por ex.: Se a empresa eliminar um desperdício da fábrica, reduzir estoques intermediários, eliminar transportes internos, operações que não agregam valor, melhorar processos de fabricação, substituir maquinas obsoletas por mais modernas, o cliente não percebe a melhoria e a empresa melhora a produtividade e seus custos.O conhecimento das margens unitárias para a construção de estratégias de vendas mais lucrativas também é condição sine qua non de sobrevivência. 
Para simular quais os projetos que dão mais retorno em termos de redução de custos, somente utilizando uma ferramenta especializada para esta finalidade.
No entanto, a empresa não pode se fixar apenas nas operações que não agregam valor ou nos desperdícios. As vezes melhorar a produtividade de uma operação/atividade que agrega valor pode trazer muito mais retorno para a empresa do que dedicar esforço e dinheiro na eliminação de um desperdício.
Obviamente, não podemos trabalhar com a ideia de formação de preços de vendas, pois quem faz o preço é o mercado, principalmente para os competidores de estratégia de custos.
O mercado cada vez mais pressiona os preços para baixo e exige qualidade no produto fornecido. Existem casos de empresas que assinam contrato de fornecimento de peças já prevendo uma redução de preço para os próximos meses. Redução de preço e não redução de custo!
Em outras palavras, eles exigem a redução de preço, mas a empresa que se vire com a redução de custo para que não perca dinheiro. Ou opte por perder o cliente.
Portanto, fazer uso de um modelo matemático para reduzir custos é fundamental.
Logo, devemos partir de um preço de mercado ou preço estratégico, deduzir a margem desejada e trabalhar com a ideia de custo alvo ou “target costing”.
A rentabilidade unitária dos produtos, que depende diretamente dos custos unitários, é informação vital para a elaboração de uma boa estratégia de vendas e na elaboração de um portfólio de produtos mais lucrativo.
Em resumo:
O lucro de uma empresa depende do resultado das vendas que depende das rentabilidades unitárias dos produtos e que, finalmente, dependem dos custos unitários destes mesmos produtos.
Matemática básica.
 Um bom sistema gerencial de custos deve fornecer aos seus usuários no mínimo:
- Precisão: Abandonar médias, rateios e critérios duvidosos de distribuição;
- Capacidade de rastreamento das oportunidades de redução de custos, melhoria nos processos de fabricação e administrativos, identificação e mensuração dos impactos dos desperdícios nos custos dos produtos;
- Simular cenários futuros: um bom sistema gerencial não pode ser limitado aos custos ocorridos no passado. Ele deve prover o usuário de um ambiente de simulação capaz de modelar matematicamente o futuro considerando variáveis como: dissídios salariais, produtos em fase de p&d, mix produtivo, processos alternativos, substituição de equipamentos, projetos kaizen etc.
- Confiabilidade. A pergunta que fica é: Você confia nos seus números de custos?
- Métricas importantes e confiáveis para que a área de vendas monte estratégias mais lucrativas no curto e longo prazo tendo em vista que a missão da área de vendas não é vender. É trazer resultados para a empresa!
- Subsídios fundamentais à área de vendas consolidando estratégias vencedoras e um portfólio lucrativo.

Texto originalmente publicado em https://www.linkedin.com/pulse/redu%C3%A7%C3%A3o-de-custos-lean-e-n%C3%A3o-simone-espindola-de-oliveira?trk=hb_ntf_MEGAPHONE_ARTICLE_POST

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Gerenciamento diário para executar a estratégia

Autor: José Roberto Ferro e Robson Gouveia
Publicado: 08/05/2015

Uma empresa tinha sua estratégia definida com metas e ações desdobradas para todas as áreas e níveis do negócio. O acompanhamento das ações ficava sob a responsabilidade de cada área e os resultados eram colhidos e centralizados no sistema de TI da empresa.

A diretoria se reunia mensalmente para acompanhar os resultados. Porém, quase todas as vezes havia resultados aquém do esperado, o que causava enorme mal estar. Para entender as razões desses resultados decepcionantes, essas reuniões acabavam virando tentativas de encontrar os verdadeiros culpados, com dedos apontados em todas as direções.

Novas decisões emergenciais eram tomadas para apagar os incêndios e mitigar a situação, o que, muitas vezes, ao invés de resolver, acabava agravando as coisas no mês seguinte.

O que estava acontecendo? O sofisticado sistema de coleta de informações da empresa parecia não permitir um real entendimento do que acontecia. E ainda, quando algumas decisões eram tomadas, já era tarde demais. Assim, os resultados anuais ficavam comprometidos.

A empresa precisava implementar um novo método de acompanhamento das ações e resultados que garantissem a execução adequada da estratégia e que permitissem uma resposta mais rápida e eficaz a eventuais desvios; o gerenciamento diário.

O que é o gerenciamento diário (GD)?

Gerenciamento diário é o processo contínuo para garantir que o trabalho esteja sendo feito do modo certo e no tempo certo para que se possa alcançar o sucesso do negócio conforme definido pela estratégia da empresa.

É o acompanhamento cotidiano das ações, definidas de acordo com o desdobramento da estratégia, para verificar se os resultados esperados estão sendo atingidos e, caso negativo, sejam tomadas as ações corretivas a tempo.

Permite, assim, que todos saibam claramente se o desempenho está bom ou ruim em bases diárias, se necessário horárias, ou então semanais ou mensais, se for o caso.
Permite que todos em todos os níveis enxerguem rapidamente o desvio ou o problema que impede que as metas sejam atingidas. E que todos, igualmente, sejam responsáveis por tomar as providências necessárias para corrigir esses problemas rapidamente.

A figura abaixo mostra a gestão tradicional, sem o gerenciamento diário, em que há uma demora para implementar uma ação corretiva a fim de fazer retornar ao desempenho esperado.

Demora para reação

A introdução do gererenciamento diário torna contínuo o acompanhamento dos resultados e reduz, assim, o tempo para realizar as correções e trazer o desempenho novamente ao nível esperado, com poucas perdas, conforme mostra a figura abaixo.

Ação para reação
Começar pelo desdobramento da estratégia a todos os níveis

O gerenciamento diário começa com um sólido processo de definição e desdobramento da estratégia, iniciado com a explicitação dos propósitos da empresa e o “norte verdadeiro”, as prioridades da empresa no futuro próximo, digamos de 12 a 18 meses.

Isso deve ser desdobrado em indicadores específicos no nível macro, cascateando nos níveis funcionais, nas células de trabalho e para cada pessoa.

Todos na empresa deverão conhecer as prioridades e os desafios para o sucesso pleno do negócio e o que será medido para que, de forma proativa, surjam decisões que permitam a correta entrega do que fora planejado e possibilite o engajamento de todos, cada um no seu nível de responsabilidade.

Assim, os indicadores deverão medir e orientar quais resultados devem ser alcançados e o que fazer quando algo sair fora do previsto.

Hierarquia

A partir daí, toda a organização, suas áreas produtivas, administrativas, comerciais e de suporte, deverão montar quadros para a gestão visual em local visível e de fácil acesso, próximo ao local de trabalho, para permitir as reuniões que serão realizadas diariamente, ou na frequência necessária.

A figura abaixo ilustra como são desdobrados os indicadores para cada nível da empresa.

Alinhamento

Como funciona o GD
Gerenciamento Diário Esquema

Gerenciamento Diário Fábrica

A partir de um quadro como este mostrado abaixo, preenchido com base nos dados atualizados todos os dias ou na frequência necessária, o time do departamento, área ou célula se reúne para discutir os números que foram alcançados em comparação ao que se esperava, ou se um determinado plano de ação foi executado da forma prevista.

Essa reunião deve ser conduzida pela liderança da área de acordo com os diferentes níveis da organização. Em uma a área produtiva podem ser os supervisores e seus líderes. Já na área comercial, por exemplo, pode ser o diretor com seus gerentes.

A reunião deve ser rápida e objetiva (aproximadamente 30 minutos) com todos focados e concentrados para dar suas contribuições em relação aos problemas revelados no quadro e as lacunas que deverão ser trabalhadas através de rápidos ciclos de PDCA.

A liderança, durante a reunião, deve atuar como um “maestro”, sendo capaz de envolver adequadamente todos os membros da equipe. O foco deverá ser na avalição e comparação do planejado com o realizado.

O líder deve saber perguntar, procurando ajudar a esclarecer a situação com perguntas exploratórias como “O que aconteceu?” até sentir que o grupo tem um bom entendimento da situação e passar a explorar as causas raízes perguntando os porquês.

Espera-se que os participantes não tragam respostas superficiais sem uma boa análise das causas raízes e contramedidas para os problemas, que devem ser analisados previamente, pois espera-se uma tomada de decisões e consenso em relação às contramedidas na própria reunião para que o resultado seja recuperado em seguida.

O líder deve evitar fornecer as respostas ou sugerir, mesmo que ele tenha uma boa ideia do que poderia ser tentado, pois igualmente importante é desenvolver a capacitação dos colaboradores.

Essa atividade torna-se, portanto, também um meio de desenvolver as pessoas, mudar o modo como pensam, como resolvem os problemas e como trabalham em equipe.

Equipe

A visualização deve ser simples para garantir a clareza, foco e facilitar o entendimento de todos, como no exemplo anterior, dentro da meta = verde, fora da meta = vermelho. As discussões deverão estar concentradas nos pontos vermelhos e na busca por contramedidas eficazes. E não procurar apontar os culpados, eventuais responsáveis ou, então, gerar discussões intermináveis, sem objetividade e foco.

O GD permite estimular o trabalho em equipe e possibilita o engajamento de todos naquilo que é fundamental para cada um, o seu trabalho. E conecta todos às necessidades essenciais da empresa nesse momento, o seu norte verdadeiro.

Todos são responsáveis para que os números estejam dentro do previsto e para que os problemas sejam corrigido rapidamente.

Por isso, nas reuniões diárias, quando estiverem todos de frente para o quadro de gerenciamento diário, deve-se perguntar, tipicamente: “Eu fiz o serviço certo, na quantidade certa e na hora certa?”; “Como estão os resultados atuais comparados com os resultados planejados?”; “Qual é o problema”; “Por que houve desvio do planejado?”; “Qual foi a causa?”; “Que tipos de melhorias são necessárias?”; “Como pode ser a minha contribuição?”; “Que tipo de ajuda será necessária?”.

Deve-se procurar criar um ambiente no qual esconder problemas não faz sentido e não é aceitável ou mesmo possível. Ao contrário, expor os problemas, questionar e resolver eficazmente passa a ser a maneira de trabalhar.

Os resultados consolidados que podem ser de um dia ou turno de trabalho, refletem, nos casos ligados à operação, como foi a eficácia dos acompanhamentos hora a hora. Se, por exemplo, em uma linha de produção, o resultado hora a hora ficou dentro do previsto, no final do turno e naquele dia, o que será consolidado no quadro gerencial será, por consequência, o resultado desejado.

Mas problemas acontecem o tempo todo e quanto mais tempo se gastar para entendê-los e resolvê-los, maiores serão as consequências. Para que o GD possa ser eficaz, os problemas precisam ser, então, resolvidos. Mas nem sempre as soluções são imediatas ou estão no nível de conhecimento e habilidade dos envolvidos.

Aviso de pare

Por isso, é fundamental estruturar a cadeia de ajuda, o acionamento de pessoas especialistas para resolver problemas, de nível em nível, cada um com sua responsabilidade e tempo para resolução do problema definidos. Cada indivíduo deve saber o que fazer, como, quando e para quem pedir ajuda quando algo está fora do esperado.

Desse modo, cada colaborador deve ser capaz de ao menos tentar resolver os problemas que atrapalham seu desempenho. Se não conseguir, ele deve chamar um líder, que também deve tentar resolver. Se não conseguir dentro de determinado tempo, deve chamar um outro nível, talvez de supervisão, ou um grupo externo como de manutenção ou qualidade. Se o problema persistir, o gerente é chamado a intervir e, se não for capaz de solucionar, ele pode chamar o diretor ou mesmo o presidente no caso de algo muito sério acontecer.

A cadeia de ajuda inverte, portanto, a organização piramidal tradicional, que se torna uma cadeia de apoio a agregação de valor e a resolução de problemas.

Exemplos: área produtiva e área comercial

Mostraremos dois exemplos a título de ilustração, um em uma área produtiva e outro na área comercial.

No primeiro, o quadro do nível gerencial de fábrica, criado a partir do planejamento e desdobramento da estratégia, apresenta os indicadores nas seguintes dimensões:
Volume de Produção, Financeiro, Qualidade, Entrega, Pessoas, SSMA.

Tais números foram derivados dos A3 estratégicos que foram criados a partir do Norte Verdadeiro. No quadro, para cada um deles, há uma meta definida e que deve ser atingida diariamente para que se obtenha sucesso no que foi planejado, na entrega de valor para os clientes com consequentes resultados para os acionistas.

A reunião acontece em uma quarta-feira e alguns problemas no quadro abaixo se mostram crônicos (como o baixo volume expedido, excesso de estoque e de horas extras). Se nada for feito para corrigir essas anomalias, o resultado será comprometido. O que ocorre, na prática, é que os problemas visíveis permitem o claro entendimento e direcionamento da equipe para atacá-los, com ações simples para contenção e PDCAs estruturados, que irão direcionar ações mais robustas. Nada pode ultrapassar o prazo máximo de 5 dias para execução.

Gerenciamento Diário Gerência

Nas reuniões seguintes, fruto das decisões e ações tomadas para solução dos problemas, percebe-se no mesmo exemplo abaixo que os problemas que eram crônicos foram solucionados e que o grupo, no caso na reunião da sexta-feira, irá discutir apenas dois pontos com resultados abaixo do planejado – rejeição interna e número de cartões de SSMA.

Gerenciamento Diário Gerência Indústria

No segundo exemplo, na área comercial, o quadro criado para o gerenciamento diário, apresenta os indicadores nas seguintes dimensões: volume por região, massa de contribuição, margem líquida, condição dos pedidos, market share, nivelamento das vendas, despesas, visitas em clientes, atendimento.

Com o mesmo método usado no exemplo anterior, no quadro, para cada um deles, há uma clara expectativa quantitativa em relação aos resultados esperados.

Na reunião de quarta-feira, além dos problemas pontuais e da baixa performance generalizada, outros quatro problemas se revelam crônicos (pedidos com pendência, vendas do produto KLM, despesas e visitas em clientes), com a necessidade de uma rápida correção, caso contrário o resultado da primeira semana do mês será ruim e o fechamento em relação ao que fora planejado ficará aquém das expectativas. Outro problema que seria motivo de festa em empresas sem o gerenciamento diário e a cultura lean é o volume total de vendas muito maior do que o previsto. Sim, isto é um problema, pois causa desnivelamento, deve comprometer a entrega, gerar custos desnecessários e gerar insatisfação para o cliente.

Sem o gerenciamento diário, seria apenas mais um número perdido no meio de tantos outros que fazem parte do portfólio de indicadores de uma empresa. Além das ações pontuais para cada número abaixo da meta, algumas ações para os problemas crônicos foram definidas:

1. Pedidos com pendência: Força tarefa da equipe de administração de vendas com vendedores para fechar os pedidos com pendência.
2. Vendas do produto KLM: Ações promocionais (sem comprometer a margem) para aumentar as vendas do produto KLM – ações incluem: banners nos pontos de vendas, atuação de promotores.
3. Despesas: Análise das despesas que podem ser postergadas sem comprometer as vendas.
4. Visitas em clientes: Cancelamento de algumas reuniões para permitir maior presença nos clientes.
5. Volume maior nas vendas: Reduzir a capacidade de pedidos para as regiões Sul, Norte e Nordeste por 1 dia.

Market share também é um indicador abaixo das expectativas, mas por ser um indicador apenas de resultado e com baixa mobilidade diária, não há um direcionamento específico para corrigi-lo além das próprias ações em conjunto, que irão fazer com que as vendas e a cobertura aumentem. Neste caso, o diretor comercial solicitou que ele fosse mantido, uma vez que havia um A3 específico para tratá-lo e ele gostaria de que todos se lembrassem do objetivo diariamente.

Gerenciamento Diário Gerência Vendas

Na área comercial, a reação em relação aos números tende a ser mais lenta, diferente da resposta rápida que ocorre nas operações de fábrica. Se estas discussões fossem feitas apenas no final do mês, o tempo para resposta e recuperação seria ainda maior e com consequências fatais para o desempenho anual.

Gerenciamento Diário Gerência Vendas Bens

Nas reuniões seguintes, já se percebe uma reação que indica que as ações tomadas em conjuntos foram eficazes.

Conclusão

O que se pretende com o GD é o acompanhamento e execução da estratégia em todos os níveis para garantir que os desvios apareçam claramente e sejam atacados na fonte, o mais rapidamente possível.

Uma empresa que não faz o GD, ou seja, que não tem um método estruturado e contínuo para acompanhar diariamente as ações e resultados previstos no plano estratégico, não consegue detectar os problemas que surgem, expô-los e resolve-los.

Portanto, não é capaz de corrigi-los, prejudicando os resultados e não gerando o engajamento e envolvimento das pessoas com a estratégia, e perdendo também a oportunidade de gerar aprendizado para seus colaboradores.

Já uma empresa que utiliza o GD é capaz de enxergar logo que os desvios ocorrem, consegue rapidamente iniciar a solução de problemas para garantir os resultados esperados e revisitar as estratégias, mantendo vivo o engajamento e desenvolvimento das pessoas que realizam o trabalho que gera valor, sendo assim fonte de aprendizagem inesgotável para a organização, e garantindo não apenas o desempenho atual, como capacitando-se para enfrentar desafios futuros.

O gerenciamento diário é um poderoso método para garantir a execução eficaz da estratégia. Sem ele, o desdobramento da estratégia, por mais sólidos que tenham sido os acordos horizontais e verticais, assim como tenham sido corretas as escolhas e definições dos indicadores, há grandes chances de fracassar, pois problemas surgirão em sua implementação.

Sobre os autores
José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil (LIB) e vice chairman da Lean Global Network (LGN).
Robson Gouveia é gerente de projetos do LIB, onde tem ajudado na transformação de várias empresas, inclusive auxiliando na implementação do gerenciamento diário que aprendeu na Alcoa.

Agradecimentos
A Tamiris Masetto Manzano pela edição e revisão deste artigo e a Nêio Mustafa pela direção da arte gráfica.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Quatro mitos da gestão da saúde

Embora seja a área com os maiores gastos públicos, o resultado não é o desejado

Por José Roberto Ferro 

O desempenho do setor de saúde é péssimo. Embora seja a área com os maiores gastos públicos, o resultado não é o desejado. O orçamento governamental de saúde nos vários níveis envolve trilhões de reais para gerar cada vez mais um baixo nível de serviços, tanto em termos de quantidade como de qualidade. Os tempos de espera por alguns serviços são excessivamente longos. A cobertura é reduzida. A qualidade não é a desejada em muitos casos.
 
Por outro lado, os planos de saúde privados são caros e há constantes disputas legais com clientes e com o órgão governamental de controle. Custa cada vez mais caro para oferecer um serviço cada vez mais restrito e de má qualidade. Porém, existem algumas iniciativas e alternativas para superar esse baixo desempenho e resolver os problemas do setor. Alguns desses esforços já foram realizados por empresas industriais há décadas, com resultados aquém do esperado.

Algumas dessas orientações existentes para superar os problemas atuais e melhorar o desempenho do setor acabam por não oferecer os resultados superiores esperados. Vamos abordar aqui quatro desses mitos, ou seja, crenças comuns de alternativas de melhorias que, na verdade, melhoraram pouquíssimo.

Mito 1: Precisamos de mais recursos
Políticos e governantes em Brasília e em governos estaduais e municipais parecem adorar essa ideia. Vira e mexe, querem aumentar impostos para garantir mais recursos para a saúde, com o apoio de muitos órgãos do setor.

Embora haja discrepâncias sobre os dados quanto ao gasto per capita no Brasil, mais recursos com certeza não resolverão por si só o problema. Basta uma caminhada por hospitais e clínicas ou acessar as frequentes reportagens da imprensa para perceber a quantidade enorme de desperdícios no setor. Não se reconhece que há um problema sério de gestão. Com a continuação das práticas atuais, ter mais recursos apenas não resolverá o baixo desempenho do sistema. 

Mito 2: Expansão dos programas de acreditação vão resolver todos os problemas
Vêm se popularizando no Brasil programas de acreditação nos hospitais, semelhantes aos programas que já foram feitos na indústria, como os programas ISO, por exemplo. Destinados a garantir qualidade e segurança dos pacientes, geralmente trazem quantidades enormes de burocracia adicional, agregam mais custos e não necessariamente trazem melhores resultados.

Tais iniciativas frequentemente surgem como desdobramentos de programas de qualidade que não conseguem permear adequadamente o dia a dia nos hospitais. Passam a coexistir duas realidades distintas: uma que está descrita nos manuais e procedimentos escritos (como as coisas deveriam ser) e outra que se observa na prática (como as coisas realmente são).

Mito 3: Inovações tecnológicas são grandes esperanças
Assim como na indústria, busca-se máquinas e equipamentos cada vez mais rápidos modernos e sistemas de TI mais e mais avançados, abrangentes e caros, cujos benefícios são limitados, conforme a utilização em outros setores tem mostrado. Em muitos casos, novas tecnologias são fundamentais e podem ajudar os clientes em tratamentos específicos, mas sabemos que a inovação em processos de gestão pode ser tão ou mais poderosa do que "saltos tecnológicos" isolados.

Melhorias no sistema de informações podem ser úteis, desde que os processos sejam definidos e simplificados, assim como os sistemas de gestão melhorados para poder possibilitar o efetivo benefício desses novos sistemas.

Mito 4: Saúde precisa aplicar a "administração moderna"
O setor de saúde em geral é administrado com base em princípios gerenciais antiquados. Portanto, parece óbvio se imaginar que incorporar os princípios da "administração moderna" seja a solução. Esse tipo de orientação tem crescido, principalmente diante do fato de que cada vez mais empresas do setor financeiro penetram fortemente no setor. Há uma tendência para a gestão por números, e não por processos, e nem sempre com a ênfase adequada no valor percebido e entregue ao paciente.

Aquilo que se considera "administração moderna" é, na verdade, algo bastante antigo e até ultrapassado, cujas limitações estão cada vez mais claras. Esses quatro mitos parecem estar presentes, em diferentes graus, como possíveis ideias a serem implementadas. Faz parte da maneira tradicional de pensar. Com eles, faremos muita coisa fácil e cara que não terá tantos resultados, até que façamos as coisas mais simples e relevantes – como mudar as práticas do cotidiano, o sistema de gestão, o estilo de liderança e a maneira de pensar. Isso, porém, é algo difícil de fazer.

A gestão lean tem se mostrado superior quando utilizada em empresas de todas as áreas e tamanhos. Parte de premissas e fundamentos profundamente diferentes. Em essência, trata-se de criar um sistema de gestão e de lideranças que focalizem os esforços naquilo que realmente importa: o valor para os clientes.


Esperamos que os hospitais entrem direto no sistema de gestão lean, sem passar necessariamente pelos equívocos da administração “moderna”, que muitas grandes empresas estão abandonando em busca da gestão enxuta. Esperamos que elas usem inovações para agregar valor. Que melhorem a qualidade e a segurança como parte do sistema de gestão e do gerenciamento diário e não como mais um “programa".

Isso significa que não são necessários mais recursos ao sistema. O melhor aproveitamento dos recursos atuais trará grandes benefícios a todos: clientes, colaboradores e interessados no sistema de saúde.

José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil 
Texto originalmente publicado na revista Época Negócios digital

http://epocanegocios.globo.com/colunas/Enxuga-Ai/noticia/2015/11/quatro-mitos-da-gestao-da-saude.html 

sábado, 28 de novembro de 2015

Como transformar seu hospital

Vale a pena assistir o "case" de implantação do Lean Healthcare do Consorci Sanitari del Garraf, localidade próxima a Barcelona.

Este "case" mostra os ganhos obtidos e principalmente que é possível, pois os problemas culturais que eles tiveram são muito parecidos com os problemas dos hospitais brasileiros.

http://goo.gl/Nrz3fb
 
O texto está em português e os vídeos estão em espanhol com legendas em inglês.