quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Henry Mintzberg critica "fórmulas prontas" do planejamento estratégico

Considerado um dos autores mais produtivos da Administração na atualidade – com 16 livros publicados até agora, quase todos considerados referência na área – o professor canadense não demonstra sinais de exaustão intelectual e pretende implementar em vários países, inclusive no Brasil, o programa CoachingOurselves, desenvolvido em parceria com Phil LeNir

Por Bruno Weiblen* e Eber Freitas, Revista Administradores

Um dos pensadores contemporâneos mais respeitados da Administração, crítico da maneira de pensar o planejamento estratégico, das propostas de muitos estudiosos intitulados "gurus" e também de seus próprios posicionamentos. Em entrevista exclusiva à revista Administradores nº5, Henry Mintzberg demonstra ser, antes de tudo, um entusiasta da dialética, da revisão de conceitos e da transformação constante das pessoas e organizações.
Conhecido pela sua análise conceitual sobre estratégia e planejamento estratégico na Administração – expressa em livros como "Safári da Estratégia" e "Ascensão e Queda do Planejamento Estratégico" – ele defende suas teorias baseadas no aprendizado e nas experiências profissionais. "É um processo pelo qual, muitas pessoas na organização – e não apenas a cúpula – aprendem o caminho para novas direções", afirma.
Administradores - Na última edição da revista Administradores, entrevistamos professores universitários de todo o Brasil para descobrir que pesquisador da atualidade poderia ser considerado o sucessor de Peter Drucker e o nome mais citado foi o seu. Como você encara esse resultado? Existe alguma semelhança ou alinhamento entre suas ideias e as de Peter Drucker?
Mintzberg - Não. Mas eu vou pressupor que essa pergunta é mais sobre a importância de Drucker como um autor de gestão do que em relação às ideias e práticas gerenciais defendidas por ele. Eu acho que há algumas semelhanças entre o que eu faço e o que ele fez, mas acredito que o que eu faço é muito diferente – porém, de certa, forma similar.
Eu creio que ambos sempre fomos críticos dos "padrões", pessoas que contrariam o senso comum – exceto em relação à prática gerencial. Contudo, o método de Drucker se tornou bastante "padrão" em alguns aspectos. Assim, muitas vezes, eu sou, implicitamente, um crítico dele. Por exemplo, eu não sou nem um pouco fã da cultura corporativa de "mensuração". Penso que a mesma é exagerada, com foco excessivo sobre o valor do acionista, o bônus dos executivos, a gestão por objetivos, os sistemas de controle nas organizações – e Drucker foi realmente quem promoveu a gestão por objetivos.
Se você estiver procurando por um link, eu acho que é mais uma ligação entre a minha abordagem e a dos brasileiros. Nesse aspecto, considero que sou muito mais "brasileiro" do que Drucker, e muito, mas muito mais "brasileiro" do que Michael Porter. A propósito, eu nunca seria o primeiro nos Estados Unidos (referindo-se à posição dele mesmo na pesquisa), Porter estaria muito à frente de mim, no sentido de que eu acredito ser um tipo de pessoa "Por que não?" em vez de "Por quê?".
Em outras palavras, sou alguém que não diria "Por que deveríamos fazer isso?", mas sim "Por que não? Vamos tentar algo novo, boa ideia!". E, pelo que eu sei, essa é, a meu ver, uma das características mais proeminentes da personalidade dos brasileiros. Então, sou muito mais alinhado ao aprendizado a partir de "dentro" (learning from within), ligado à prática (ground up), baseado na comunidade (community based), a favor da horizontalização (não-hierárquica) e suspeito da liderança (suspect of leadership). E eu acho que, intrinsecamente, isso tudo é muito "brasileiro".
O planejamento estratégico continua a ser um tema central nas escolas de Administração e MBAs, mas é ministrado de uma forma puramente instrumental, como uma receita de bolo. Como você avalia isso?
O planejamento estratégico é um termo que pode ser usado para descrever qualquer coisa. Você pode ter uma discussão sobre estratégia na faculdade e isso pode ser chamado de planejamento estratégico. Minha preocupação é que isso tudo se torne uma fórmula e, assim, converta-se algo extremamente burocrático.
Eu meio que critiquei esse assunto de forma um pouco exagerada, mas não tanto que ninguém nunca tenha desenvolvido uma técnica instintiva para o planejamento estratégico. Eu tenho certeza de que existem exceções, mas a estratégia, para mim, é aprendizagem, e não planejamento. É um processo pelo qual muitas pessoas na organização – e não apenas a cúpula – aprendem o caminho para novas direções. Planejar significa que você pode se sentar e criar uma fórmula. Porém, estratégias não saem assim, como milagre. Elas são aprendidas quando se tem um alvo, quando as pessoas precisam resolver problemas.
Então, eu não sou um fã deste tipo de abordagem "receita de bolo" para a estratégia, baseada em fórmulas. A propósito, eu acho que os brasileiros são pessoas muito mais orientadas ao aprendizado do que ao planejamento. Uma mulher brasileira que conheci em Montreal disse: "aqui, quando saímos para jantar, temos que planejar o cartão de crédito que iremos utilizar, o restaurante aonde vamos, o filme, o carro que vai ser usado. No Brasil, a gente se reúne e, quando chegamos lá, decidimos o que fazer".
Nos últimos dez anos, nota-se uma verdadeira explosão dos cursos de MBA. Você já se opôs repetidas vezes a esses cursos com considerações duras. Qual é a sua maior crítica aos MBAs?
Deixe-me apenas falar para vocês sobre o que todos esses cursos vêm fazendo. Mas, em primeiro lugar, permita-me dizer algumas coisas. Um: você não pode criar um gestor em sala de aula. Colocar jovens numa escola e fingir que está transformando-os em gestores é perigoso porque eles pensam que, ao saírem dos MBAs, serão capazes de gerir organizações. No entanto, o que eles aprendem é, unicamente, a analisar funções administrativas, como marketing e finanças. Assim, MBAs são excelentes para ensinar exatamente isso – que, porém, não é gestão. Ela se vale dessas ferramentas, mas é muito, mas muito mais do que análise de funções administrativas.
Então, os estudantes saem desses cursos pensando que sabem como administrar uma organização, o que é arriscado, pois o que eles sabem fazer é análise. O desenvolvimento gerencial legítimo deve ser focado em gestores de verdade. O segundo ponto é que se deve concentrar na utilização da experiência sobre a gestão para reflexão pessoal e em grupo. Assim, o profissional deve aprender com sua própria vivência, pensando sobre ela, e compartilhando-a com os colegas. É aprender uns com os outros em grande parte, não apenas com os professores.
Na década de 1970, você teorizou que os gerentes possuíam dez papéis dentro de uma empresa: monitor, disseminador, porta-voz, representante, líder, intercomunicador, empreendedor, apaziguador e alocador de recursos. Como você avalia as funções do administrador na atualidade? Considerando o surgimento de novas tecnologias, houve alguma mudança ou variação nas responsabilidades dos gestores ao longo do tempo?
Eu não acho que os papeis mudaram por causa das novas tecnologias. Penso que gestão é gestão. Não é uma profissão nem uma ciência, mas uma prática, e eu não acredito que ela tenha se transformado fundamentalmente. A modificação que eu aceitaria não é sobre as funções, mas em relação às pressões e características do gerenciamento.
Eu afirmo que a gestão é muito afetada pelas constantes interrupções, as várias pequenas tarefas do dia, todas essas coisas que a tornam caótica, a orientação para a ação, etc. Eu acho que o e-mail, particularmente, tem exacerbado, em muitos casos, essas características caóticas da gestão. Ele empurra os gestores ao limite, fazendo com que percam o controle do que está acontecendo na organização, pois chegou ao extremo de um tão prazo curto que, às vezes, é uma gestão focada nos minutos.
O que mudou dos anos 1970 para cá fui eu. No meu livro de 2009, "Managing: Desvendando o Dia a Dia da Gestão", eu descrevo os papeis de forma diferente – não porque eles mudaram, todos estão lá, de certa forma – mas porque a minha maneira de colocá-los juntos mudou. Então, agora, eu entendo que a gestão está acontecendo em três planos: informação, ação e pessoas. Assim, os gestores processam informações, se comunicam, controlam ao mesmo tempo em que lidam com pessoas, constroem networks do lado de fora e lideram dentro da organização. Já os gerentes se envolvem com a ação, pois eles administram projetos, apagam incêndios, negociam contratos...
Você repetidamente critica o atual modelo liderança, apoiando a redução máxima de líderes dentro das empresas. Qual é a sua proposta em relação a isso?
Eu não diria a "máxima redução dos líderes". Eu não creio que a liderança não é importante. Para mim, liderança e gestão não podem ser separadas, pois são intrinsecamente ligadas uma a outra. Acredito que os gestores que não lideram são chatos e desanimadores. Por outro lado, os líderes que não gerenciam não sabem o que está acontecendo.
Os gestores desses bancos e companhias de seguros em Nova York que compraram essas hipotecas "podres" não estavam gerenciando no sentido conceitual da palavra. Ou eles sabiam o que estava acontecendo – e não se preocuparam com as consequências (portanto, não estavam gerenciando) – ou faziam de conta que não sabiam o que se passava.
Muitas vezes, o típico "líder heróico" não se preocupa com os efeitos a longo prazo, apenas com os resultados imediatos para atender às demandas de Wall Street. Eu tenho certeza de que tenho sido um tanto óbvio, mas eles apostaram suas empresas inteiras nestas hipotecas "podres". Portanto, a liderança e a gestão têm que estar contidas nas mesmas pessoas. Você pode distinguir em um sentido que liderança é em relação a energizar, motivar as pessoas e tudo mais, mas eu não acho que você pode separar a liderança da gestão.
Bons líderes estão no cotidiano da empresa, em contato com os clientes, o mercado e seus colaboradores. Eles sabem o que está acontecendo, não estão microgerenciando nem se metendo nos assuntos dos seus gestores subordinados. Eles simplesmente estão na operação, porque você não desenvolve estratégias simplesmente sentando no ar; você precisa estar no chão, intervindo no dia a dia da empresa.
A burocratização e os procedimentos lentos estão diretamente relacionados a esse tipo específico de liderança ou à quantidade desse tipo de líder?
Sim, significativamente. Estamos de volta à gestão por objetivos de Drucker, o que eu chamo de "gestão à base de ordens e julgamento". Você senta em um escritório e considera que as pessoas abaixo de você na hierarquia irão produzir e entregar os resultados, bastando apenas ouvir as ordens divinas do superior máximo da organização. Então, você se senta na sua cadeira e diz: "você vai aumentar as vendas em 10% ou eu vou demiti-lo no próximo ano", "você vai cortar custos em 15%", ou "você irá demitir cinco mil funcionários", "minha neta, que tem seis anos, poderia fazer isso".
Não é preciso um grande gênio para se sentar ali e disparar os números para as pessoas, dizendo "isso é problema seu". Essa é uma dispensa total do processo natural de estratégia e as pessoas precisam começar a colocar as mãos na massa até que saibam o que está acontecendo, para então poder atacar e resolver os problemas.
Outra crítica incisiva que você faz constantemente é ao termo "Recursos Humanos", o qual você acredita que é degradante e uma maneira humilhante de se referir às pessoas nas empresas. O que você sugere em relação a isso? Como as empresas devem tratar seus colaboradores?
Bem, antes de tudo, as empresas não deviam chamar as pessoas de "Recursos Humanos" porque elas são seres humanos. Então, você começa a tratar as pessoas como seres humanos, não como bens, objetos, manipulando-as descaradamente ao bel prazer da empresa, como se não estivesse lidando com vida.
As pessoas têm as suas próprias necessidades e desejos, querem contribuir e se sentir parte da empresa. Logo, a maneira de tratá-las adequadamente é construindo o empreendimento como uma comunidade. Assim, os colaboradores vão se sentir realmente engajados ao invés de se sentirem ameaçados, como se fossem ser demitidos amanhã.
Um exemplo disso é o que aconteceu nas companhias americanas, sendo muitas delas destruídas. Elas simplesmente demitiram pessoas casualmente. As empresas ainda eram extremamente rentáveis, mas – ao não atingir os números de Wall Street, os resultados que eram esperados – elas demitiram sumariamente os funcionários, jogando-os porta afora.
O CoachingOurselves – programa de desenvolvimento gerencial que foi desenvolvido por você e Phil LeNir – tem parceria com várias empresas ao redor do mundo e, recentemente, chegou ao Brasil. Qual é a proposta do projeto e seu público-alvo?
No Brasil, nós estamos fazendo algumas outras coisas, diferente do que estamos fazendo em outros países. Por exemplo, a parceria é com um grupo editorial – um dos líderes do mercado, o Grupo A – que está combinando o CoachingOurselves com meus livros, utilizando sua reputação no mercado. Eu aposto que as pessoas são muito receptivas a esse método revolucionário de desenvolvimento gerencial. Bem, pelo menos uma das empresas que está estudando a implementação do CoachingOurselves – a qual eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – está muito entusiasmada com os frutos possíveis da execução do programa.
Dessa forma, estamos muito orgulhosos pela forma com que o CoachingOurselves está se desenvolvendo no Brasil e, francamente, nós pensamos que o projeto se encaixa perfeitamente na mentalidade brasileira. É uma iniciativa provavelmente melhor do que qualquer coisa que já pude ver em qualquer outro programa de desenvolvimento gerencial, porque é sobre o desenvolvimento do "senso de comunidade" nas organizações.
As pessoas se agarram na esperança de mudar, tomando iniciativa, tendo ideias instintivamente, trabalhando socialmente em pequenos grupos – o que chamamos de aprendizagem social (social learning). Por exemplo, a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, disse que precisa desenvolver mais as habilidades de gestão no país, um cenário absolutamente perfeito para o CoachingOurselves, porque: a) é totalmente alinhado à natureza dos brasileiros e, b) é o mais escalável programa de desenvolvimento gerencial com custo acessível, concebível, porque as pessoas se reúnem em pequenos grupos em seus próprios locais de trabalho. Assim, poderíamos ter milhões de brasileiros fazendo isso dentro de poucos meses porque é muito simples de se implementar e de se trabalhar em escala.
Entretanto, há um perigo nesse fato porque a última coisa que o Brasil deve fazer agora é a cópia da gestão americana. É difícil para as pessoas entenderem que a Administração americana não é mais o "padrão-ouro" a ser copiado ou a se inspirar. Os americanos se perderam no sentido de se focarem nas questões erradas, principalmente no que se refere ao descaso da verdadeira gestão. A crise recente nos EUA não é uma crise econômico-financeira, mas uma crise de gestão. Um lote de grandes bancos e companhias de seguros são horrivelmente administrados. E muitos outros tipos de empresas americanas são horrivelmente administradas. Portanto, se Obama quer sair desta crise é melhor que ele foque sua atenção para a gestão, se livrando de todos os economistas que estão "aconselhando-o".
Qual é a sua visão da gestão brasileira, seja no meio acadêmico ou profissional? Em que ponto você acha que precisamos melhorar?
Eu acho que está pedindo mais do que eu poderia responder, porque eu não sou um especialista em gestão brasileira. Eu vejo as empresas, as coisas acontecerem e meio que tenho um senso dos brasileiros – não muito profundo, mas de certa forma – mas eu realmente não posso falar acerca de empresas brasileiras ou das práticas defendidas pelos acadêmicos de gestão brasileiros.
Mas do que você ouve falar, qual é a sua impressão, uma opinião, não uma análise mais profunda?
As impressões que tenho não são muito relativas às atividades empresariais por assim dizer, mas em relação às iniciativas sociais. Acabei de fazer um artigo científico com um estudante de doutorado brasileiro que trabalha comigo, Guilherme Azevedo, e é sobre isso, iniciativas sociais ao estilo "Por que não?" no Brasil.
Se você olhar para as experiências no tratamento de portadores de HIV, na produção de etanol, no Bolsa Família, verá que são vários tipos de iniciativas interessantes, que oferecem uma visão muito agradável do setor social e também dão uma ideia do dinamismo do setor privado por causa desta natureza do povo brasileiro – muitas vezes em parceria com as empresas, como é o caso do etanol.
O Carnaval no Rio é outro exemplo interessante da gestão comunitária brasileira porque não começou com as autoridades ou com a iniciativa privada; iniciou-se com as pessoas, a comunidade, mas agora é um grande negócio porque, naturalmente, tem muito dinheiro envolvido, serviços turísticos e tudo o mais. Enfim, é um negócio fascinante.
Muitos jovens e futuros administradores vão ler essa entrevista e extrair algumas conclusões a partir dela. Que mensagem você gostaria de transmitir para eles?
Para aprender a partir de suas próprias experiências. A coisa mais poderosa que eles podem fazer é aprender com sua própria experiência e com a de outras pessoas. Nossos programas, como o IMPM e o CoachingOurselves, são todos belos exemplos de verdadeiros gestores que estão se desenvolvendo a partir do princípio de aprendizagem a partir de sua própria experiência.
*Bruno Weiblen - é gerente de novos negócios do Grupo A, empresa que engloba várias editoras e diversas plataformas de distribuição de informação técnica, científica e profissional. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os mandamentos do guru da gestão Tom Peters


Conheça os pontos essenciais para o sucesso das empresas enumerados pelo especialista do mundo dos negócios

Por Luciana Carvalho, de exame.com

São Paulo - O renomado guru da gestão Tom Peters é idolatrado por homens e mulheres de negócios. Autor de vários best-sellers, como "In search of excellence" (Vencendo a crise, em 1982) e "Liberation management", Peters foi considerado como o "guru dos gurus" pela revista Fortune e "superguru" pela The Economist. 
Em recente palestra em São Paulo, o engenheiro civil pela Cornell University, e Ph.D. pela Stanford University, dos Estados Unidos, deu ensinamentos quase óbvios sobre estratégia e excelência, mas que são ignorados por grande parte das empresas. Confira os principais mandamentos de Peters para garantir a produtividade e o sucesso na gestão dos negócios:
- Desenvolva a comunicação interna. Segundo Tom Peters, o problema número um das empresas é a falta de comunicação entre os diversos níveis da corporação. Se as pessoas não se entendem, não conseguem alcançar objetivo algum.
- Preocupe-se com a relação entre chefes e subordinados. O grande motivo de insatisfação dos funcionários com a empresa é a má relação com seus supervisores imediatos. "Não importa se a empresa está tendo bom ou péssimo desempenho, se o empregado não está bem com seu chefe, ele vai detestar o trabalho", afirma. Essa relação precisa ser positiva se o gestor quer que a produtividade dos funcionários seja boa.
- Fixe nos detalhes. Para Peters, "execução é estratégia" e, para ter sucesso, é imprescindível ter um objetivo bem traçado - não importa qual - e, mais do que isso, é necessário investir e executar exaustivamente cada ponto. Os detalhes são o que fazem a diferença no final.
- Lembre-se que pequenas ações resultam em grandes resultados. Por meio do exemplo do Walmart, que aumentou muito seus lucros depois de aumentar o tamanho dos carrinhos de compras - facilitando a compra de produtos maiores, como microondas - Peters mostra que não precisa ser um gênio, nem criar projetos altamente elaborados para aumentar a rentabilidade dos negócios. 
- Mantenha contato com todos os membros ligados à empresa. Se você gerencia diversas instâncias, pessoas e processos, não deixe que eles fiquem sem sua atenção ou supervisão. É importante delegar funções, mas não deixe nada completamente de lado. Fique de olho nos negócios como um todo para evitar problemas.
- Trate seus empregados como clientes. Nada mais lógico do que tratar bem os funcionários para que eles tratem bem o consumidor final de seu produto. Segundo ele, o trabalho do líder é promover o sucesso, comprometimento e entusiasmo nas pessoas que servem direta ou indiretamente o cliente.
- Volte seu foco para as mulheres. O mercado consumidor feminino é, para ele, uma galinha dos ovos de ouro e, por isso, as empresas devem tentar buscar desenvolver produtos e serviços que agradem a elas. Um bom começo é evitar tratar o consumidor como "ele", no masculino, e buscar formas mais igualitárias para conquistar esse mercado promissor.
- Seja obcecado em contratar os melhores. "Você pode se concentrar em buscar os grandes talentos, mas você é obcecado por isso?", indaga. Tom Peters considera que o processo de contratação deve ter máxima prioridade, pois é dele que saem os melhores frutos. Para isso, é imprescindível pensar e repensar os critérios de avaliação dos candidatos para não errar na hora da seleção.
- Saiba ouvir, agradecer e pedir desculpas. A escuta, para ele, é a alma do desenvolvimento das empresas. Com seu tom desafiador, ele instiga os gestores a contar quantas vezes ao dia eles perguntam "o que você acha?". Ao dar poder às pessoas, ouvir suas opiniões é um reforço para o comprometimento e para o sucesso. O mesmo vale para gentilezas muito esquecidas, como agradecimentos e pedidos de desculpas. Não prejudica ninguém e faz os funcionários mais felizes e produtivos.
- Dê importância ao design. Em um contexto em que a maioria das empresas fornecem produtos de qualidade muito similar, o design é fundamental para atrair consumidores. Peters dá o exemplo da Apple e da BMW para mostrar que o design está muito além da antítese de gostar e não gostar. Ele está entre o amor e o ódio.
- Nunca perca um almoço. "É nos almoços que conseguimos fazer os melhores negócios, pois é muito mais fácil você trabalhar com uma pessoa com quem você teve um contato mais próximo do que com um estranho", diz. Peters acredita que é nas refeições que afinidades e a simpatia pode surgir, ajudando as partes a entrar em acordo.
Texto originalmente publicado em exame.com. http://exame.abril.com.br/negocios/gestao/noticias/mandamentos-guru-gestao-tom-peters-591629?page=1&slug_name=mandamentos-guru-gestao-tom-peters-591629

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que Gerir ou Analisar Processos em Hospitais

Por Jaime Gil Bernardes


As organizações, de uma forma geral, estão presas a processos criados quando o mundo era outro, alguns de muitas de décadas anteriores. Muitas vezes as organizações nem sabem que estão com seus processos defasados, pelo simples fato que as coisas estão “andando”e não pensam em melhorar. Isso é um erro grave, pois temos que estar sempre insatisfeitos como os processos são feitos dentro da organização.
Nos hospitais essa relação de benefício atual do processos quando confrontado com os possíveis benefícios se torna mais complicada ainda, pois os acontecimentos são muito urgentes, as tarefas difíceis de serem executadas e as melhorias ficam para um segundo momento.
Se alguém simplesmente perguntar (provavelmente alguém de fora do setor ou mesmo alguém de fora da organização) “porque os processos são feitos desta maneira”, receberá a resposta “não sei, quando cheguei aqui já era assim”. Anos se passam e as coisas continuam a serem feitas da mesma maneira, como eram feitas no tempo das seringas de vidro.
Isso remete à história clássica dos cinco macacos,que é mais ou menos assim: cientistas colocaram um grupo de 5 macacos numa jaula e no meio dela colocaram uma escada que levava a um cacho de bananas, que estava no topo desta escada. Entretanto, cada vez que um dos macacos subia e pegava uma banana, os outros que estavam embaixo tomavam um jato de água. Assim acontecia até que os macacos perceberam que não podiam deixar nenhum dos outros subir na escada, pois os que ficavam embaixo se prejudicavam. E assim quando um deles tentava subir, os outros o agarravam e batiam nele. Então ficavam os 5 macacos sentados, apenas olhando para as bananas. Os cientistas, então, tiraram um dos macacos da jaula e o substituíram por outro que não sabia o que acontecia. Mal ele entrou na jaula, tentou subir na escada, mas os outros o impediram, batendo nele.  Então ficavam os 5 macacos sentados, apenas olhando para as bananas. Um segundo macaco foi substituído e aconteceu a mesma coisa. E o terceiro e o quarto e o quinto macaco foram substituídos, um a um. Neste momento, tinha-se 5 macacos que não haviam tomado o jato de água e se, hipoteticamente, alguém perguntasse porque eles não subiam a escada para pegar as bananas, eles diriam que não sabiam, pois sempre foi assim.
Então, as coisas nem sempre tem explicação para serem feitas da maneira como são feitas. Isso torna a análise e a gestão de processos tão importante: alguém tem que pensar por que está sendo feito assim.
Assim, é importante destacar os objetivos de gerir ou mesmo analisar processo em uma organização hospitalar. Abaixo cito  os principais objetivos:
Adequar os processos à estratégia – É essencial  que os processos organizacionais estejam perfeitamente alinhados com a estratégia. Tudo que se faz numa organização tem que ser de acordo com a estratégia organizacional, previamente estipulada, que foi descrita no planejamento estratégico (cabe lembrar que a estratégia organizacional é um aspecto permanente e maior que o planejamento estratégico, que é o plano de ações para se chegar na estratégia). Portanto, os processos tem que vislumbrar esta estratégia, pois se não estiverem alinhado, não tem motivos para existir.
Definir responsabilidades – Parece um aspecto simples, mas nem sempre está definido quais os limites das responsabilidades das pessoas sobre um processo, ocorrendo excesso de controle em um canto e nenhum controle no outro. Minha mãe já dizia que “arroz que mais de uma pessoa faz, ou fica salgado ou sem sal”. A gestão de processos define as responsabilidades e os limites.
Formalizar os processos – Os funcionários são trocados, em algumas funções mais rapidamente que em outras, mas sempre há uma substituição. Inclusive os líderes são trocados. Com isso, a maneira mais correta de executar tal processo é levada junto, não ficando registro de como deve ser feito, provocando problemas no próprio setor e nas fases seguintes do processo.  A manualização de processos é uma ação burocrática mas deve existir.
Criar interfaces entre os processos – A sinergia entre os processos é vital para a organização para que haja a continuidade. Mas esta sinergia tem permitir a percepção de onde estão os limites de cada processo, assim como comentamos sobre os limites da responsabilidade. Sempre que algo termina, outra coisa está começando. Mas não pode ser de maneira desordenada; tem que ser com a devida “liga” entre cada processo. A gestão de processos vai determinar estes limite e como são feitas estas passagens entres os processos, se vai ser do tipo puxada (o processo seguinte vai buscar os elementos para continuar) que é a mais indicada, ou se esta interface vai ser empurrada (quando o setor termina sua tarefa e fica esperando que o setor seguinte se manifeste a respeito daquele processo).
Focar no cliente – O cliente é a razão de ser de um hospital, e tudo deve estar focado em agregar valor ao cliente. Um processo deve ser analisado sob três aspectos: se agrega valor ao cliente (processo fundamental), se não agrega valor ao cliente mas é necessário (deve-se diminuir ao máximo seus efeitos e procedimentos) e se não agrega valor ao cliente e não é necessário à continuidade da organização (este processo deve ser eliminado).
Adequar pessoas e competências pessoais – Não adianta ter um processo bem desenhado se não tiver as pessoas certas para o executar. O treinamento também é fundamental. Requer, ainda, uma adequação do número de pessoas envolvidas com aquele processo: não pode ter pessoas em demasia pois é desperdício e nem pode ser faltando pessoas, pois a sobrecarga é um motivo de erros e consequentemente retrabalhos.
Determinar e analisar trade offs – As escolhas devem ser feitas e muitas das opções devem ser descartadas, mas nunca esquecidas. Os trade offs representam as oportunidades não escolhidas, mas que necessariamente não sejam aproveitáveis em outros momentos, podendo ser uma opção estratégica alternativa: um plano B. Mesmo assim devem ser discutidos até se tornarem trade offs.
Buscar o aperfeiçoamento contínuo – A melhoria dos processos tem que ser uma constante, sempre em busca de fazer melhor, com menos recursos e eliminando os desperdícios, isso aliado com a melhoria do atendimento ao paciente.
Verificar falhas no atendimento – Os “momentos da verdade” (situações me que a empresa se coloca em contato com o cliente por meio de seus colaboradores) são fatores críticos em uma instituição hospitalar, pois em muitas situações estes momentos estão carregados de sofrimento. O setor de atendimento deve ter um processo definido, com situações muito bem manualizadas e até “ensaiadas” para que transmitam conforto ao paciente. Este processo de atendimento também deve estar bem definido para evitar atrasos, que é uma das causas mais insistentes de reclamações dos pacientes.
Revisão das práticas assistenciais – A análise de processo assistenciais visa melhorar a economicidade de movimetos (deslocamentos e transportes), de materiais e de medicamentos, bem como esta revisão de práticas assintenciais proporciona aumento na segurança do paciente.
Ter em mente que aqueles processo são necessários – Voltemos a história dos cinco macacos. Em um determinado momento nos vemos fazendo um processo de uma maneira que não tem mais sentido de existir ou mesmo que aquele processo nem seja mais necessário. É hora de verificar se realmente o que fazemos agrega valor para o cliente ou é necessário à continuidade da organização.
 Com a visão do processo bem estrutura, difundida e consolidada, os silos funcionais tendem a desaparecer, fazendo com que as pessoas passem a agir como uma grande equipe.
Os profissionais tendem a atuar de forma colaborativa e em equipes multidisciplinares, focadas não somente nos interesses do seu setor, mas nos resultados e na atuação nas diversas fases.
A organização passa a compreender melhor as inter-relações entre os processos e o impacto sistêmico dos resultados de cada etapa no desempenho global. A comunicação melhora e os conflitos tendem a diminuir.
Por isso tudo, é necessário que os processos nas organizações hospitalares sejam discutidos, analisados, excluídos, alterados ou mesmo implantados, podendo migrar para uma equipe (ou mesmo uma só pessoa) que faça a interface entre os setores, buscando a gestão efetiva de processos.
.[Veja também: 
Gestão de Processos em Hospitais 2: Objetivos e Benefícios - http://goo.gl/BA0SO
Gestão de Processos em Hospitais - http://goo.gl/STKu4]

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mentoring na Gestão Hospitalar


Por Jaime Gil Bernardes

A atividade de mentoring, ou mentoria, ou a intervenção de um mentor, é um processo estruturado de ajudar pessoas a aprender, a mudar e a administrar a adversidade na sua organização.
No mentoring, o mentor é uma pessoa sênior com grande experiência profissional no campo de trabalho que orienta uma pessoa menos experiente, onde geralmente tem a experiência e as respostas para seu mentorado. É necessário para o mentor uma sólida base acadêmica e uma aprimorada técnica de interação com o mentorado, para que este não tenha apenas as”receitas do bolo”, mas que permita o seu desenvolvimento intelectual na busca de resultados para a sua organização.
É um serviço de aconselhamento ou discussão de idéias, feito de maneira pessoal (ou mesmo em pequenos grupos) onde o mentorado busca a sua excelência, visando, sempre, o crescimento de sua organização.
Mentoring é apropriado para o planejamento de políticas internas, desenvolvimento de estratégias e políticas no trabalho, fornecimento de orientação geral, aconselhamento, traçar e alcançar metas,  facilitar a tomada de decisões ou a solução de problemas.
Acredito que na atividade hospitalar a busca de um mentor é muito importante. Vemos muito casos nos hospitais em que o administrador fica isolado nas suas decisões, não podendo contar com a troca de idéias com seus subordinados, seja pela estratégia a ser adotada, seja pela política interna, onde muitos assuntos tem que ser resolvidos com o próprio afastamento de seu subordinado.
Em outros casos, como que ocorre comumente em instituições filantrópicas, onde um presidente é nomeado a assumir esta posição por imposição de um grupo associado, por não haver outra pessoa em condições mínimas para este cargo, se vê na administração de um hospital, que é sabido, é uma organização extremamente complexa. Neste momento, este presidente precisa de fundamentos básicos para poder tocar esta sua missão.
Ocorre, ainda, de um administrador ser chamado para assumir a administração de um hospital. Apesar de sua experiência como gestor, quando se depara com a complexidade hospitalar, precisa aprender como gerir esta entidade tão complexa.
Nestes momentos, e em muitos outros, uma visão externa, de um consultor experiente, de um mentor, se torna fundamental.
O mentor, através de um trabalho personalizado e estruturado, vai fornecer interação pessoa a pessoa para alcançar aprendizado e crescimento personalizados.
Este trabalho inicialmente pode ser feito face a face, podendo migrar para sessões até via internet e tem como objetivo complementar o treinamento formal e as experiências educacionais.
Tratam de assuntos, problemas e decisões da vida real, facilitado pelo acesso à informação e fornece alternativas sobre novos comportamentos e ações, e, principalmente, apóiam o alcance de resultados positivos.
Em meus trabalhos de consultoria hospitalar, tenho visto muitas situações em que, se houvesse um mentor acompanhando o administrador ou o presidente da instituição, muitos dos prejuízos ou dos investimentos mal feitos teriam sido evitados, pois em muitos casos estes gestores não obtém respostas nas reuniões com sua equipe, cabendo, então, que o aconselhamento de um profissional externo e experiente com a realidade hospitalar, seja de vital importância para a continuidade da organização.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Você já pensou em contratar uma consultoria?

Por  Genésio Korbes
Consultoria? Contratar para quê? Eu sei o que preciso fazer e não preciso de estranhos para dar palpites na minha empresa. Aliás, por aqui os negócios vão muito bem, obrigado! Por falar em palpite, segundo o senso comum, consultor é todo aquele que diz o que você já sabe e, ainda por cima, cobra um bom dinheiro por isso. Mas, por que sua empresa está com tantos problemas?
Se você está entre as pessoas que ainda pensam dessa forma, tome muito cuidado. Talvez a sua empresa esteja na lista das que poderão desaparecer nos próximos anos. Ninguém é dono da verdade, nem mesmo você, presidente ou administrador. Portanto, vale muito mais a pena contratar um profissional que, junto com você, indique os melhores caminhos e, muitas vezes, descubra atalhos importantes que aumentem sensivelmente os resultados de sua organização.
Contratar uma consultoria não é garantia de resultados. Consultoria nunca foi, não é e não será um trabalho que se faz num passe de mágica. Contar com uma consultoria é ter a seu lado um profissional discutindo, questionando e pensando no que fazer, como fazer melhor e por que fazer. A mudança só acontece quando você estiver disposto a abraçá-la e só se dá de dentro para fora.
O papel do consultor consiste em orientar, mostrar o caminho e visualizar novas maneiras de decidir e gerir seu negócio.
De acordo com a definição da Wilcipéclia, consultoria é a atividade profissional de diagnóstico e formulação de soluções acerca de um assunto ou especialidade. Consultoria vem da origem das relações humanas e parte da reflexão para uma melhor resposta a questionamentos ou situações específicas. No contexto atual, consultoria é um serviço de orientação e apoio a qualquer gestor para facilitar a tomada de decisões estratégicas que causem impacto positivo nos resultados.
Dias atrás, uma colega me disse: "Deveríamos mudar o nome de consultor para mentor". Na hora, não prestei muita atenção, mas aquela manifestação ficou em minha mente, intrigou-me e levou-me a refletir e estudar o tema mais a fundo.
Confesso que, na medida em que me aprofundei nas minhas consultas acerca do assunto, passei a concordar integralmente com ela a partir do significado da palavra mentor: uma pessoa que guia, ensina ou aconselha outra em seu aprendizado.
Não completamente satisfeito, aprofundei a pesquisa abrangendo as maiores empresas brasileiras e todas elas, sem exceção, tinham o seu mentor, ou até mesmo um grupo de mentores.
A triste constatação veio depois: quantos gestores de hospitais brasileiros têm seu mentor? Não tenho a resposta, mas me atrevo a pensar que, dos 6.500 hospitais do País, talvez 5% sejam geridos profissionalmente com foco empresarial e, destes, pode ser que a metade tenha uma consultoria atuante no propósito de ajudá-los. Qual a representatividade deste número? Nenhuma. Será que aquelas empresas de sucesso estão fora do compasso? Certamente que não.
Dito isso, outra pergunta me incomoda. Por que praticamente todas as grandes empresas de sucesso trabalham com consultorias? Qual a relação de causa e efeito nessa constatação? Penso que, por atuarem com pessoas isentas e não envolvidas com os detalhes do negócio, essas empresas aproveitam muito melhor as oportunidades que o mercado lhes oferece.
Como em qualquer empreendimento, você não pode ser bom em tudo. Em muitas situações, você tem diferentes opções. Qual a decisão correta? É neste momento que entra em cena o profissional imparcial e neutro para ajudar, opinar e mostrar rotas alternativas. Afinal, não é nenhum demérito não saber de pronto o melhor caminho. Certamente você já teve ao menos uma experiência em que a melhor resposta ou alternativa foi apontada por alguém "estranho".
Na minha experiência profissional como executivo, aprendi muito com consultores. Hoje, atuando também como consultor, aprendo muito mais com gestores e é nessa troca de informações e conversas que muitas decisões de peso são tomadas — e acertadas. E você, o que está esperando? Chame um consultor para apoiá-lo e ajudá-lo a melhorar seus resultados.

GENÉSIO KORBES é Sócio-diretor da Korbes Consulting e diretor-associado da Antares NP Consulting
Texto originalmente publicado na Revista FH nº 189 de Julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

10 erros estúpidos que os empreendedores cometem

Professor Pablo Martin de Holan destaca quais os erros mais cometidos por quem monta um negócio e vai atrás de financiamento

Por Daniela Moreira, de exame.com

“Você pode aprender com os seus erros, mas, se possível, evite”. Foi com essa máxima que o professor Pablo Martin de Holan encerrou sua apresentação (assista aqui) a uma audiência de futuros empreendedores na última terça-feira (26/07), no auditório da FGV-EASP.
Diretor do departamento de Gestão Empreendedora da IE Business School, em Madri, ele apontou 10 erros estúpidos que muitos empreendedores cometem na hora de montar um negócio e ir atrás de financiamento. Saiba quais são eles.
1. Não saber qual é sua vantagem competitiva
“Você não pode ser tudo para todos”, destaca o professor. “Ou você compete pelo preço, e entra no cruel mundo das commodities, ou terá que ser diferente de uma maneira relevante para o cliente”, ele acrescenta. A solução para o problema é conhecer muito bem o seu marcado e os seus clientes. “Faça sua lição de casa”, recomenda.
2. Ser ingênuo em um mundo cínico
Muitos empreendedores acham que chegar primeiro em um mercado garantirá o sucesso do negócio, mas esta fórmula nem sempre dá certo. Muitos dos grandes players dos seus segmentos chegaram depois e aprenderam com os erros de quem se aventurou primeiro. É o caso da Apple, que não foi a primeira a vender tocadores de música digital, mas dominou rapidamente o mercado quando entrou nele.  “Ser primeiro nem sempre ajuda”, diz Holan.
3. Esquecer que é preciso gerar valor
Se você vai entrar em um mercado em que já existem outros competidores, é fundamental mostrar a que veio. “Seu produto tem que gerar mais valor que a concorrência”, enfatiza o especialista. “O iPhone não é o primeiro smartphone  a tocar música, acessar e-mail ou tirar foto. Mas ele tem algo a mais, algo que gera valor para o usuário”, explica ele. E se você vai vender algo que não existe, torna-se ainda mais fundamental provar que aquilo vai trazer algum valor para o cliente. 
4. Minimizar a importância da execução
“Quando um investidor precisa escolher entre uma boa ideia e um bom time, ele escolhe o bom time”, diz Holan. Não basta ter uma boa ideia, é preciso mostrar que você é capaz de executar. Tenha pelo menos um protótipo antes de procurar um investidor, ele aconselha.
5. Achar que sua ideia é a melhor do mundo
Deixe o entusiasmo de lado e avalie quanto sua ideia realmente vale. Ter o pé no chão ajuda na hora de negociar com o investidor. “A avaliação de uma empresa é uma negociação”, destaca. Chegar à mesa achando que sua ideia é a melhor do mundo pode atravancar o processo.
6. Pedir demais pelo negócio
Uma consequência de achar que sua ideia é a melhor do mundo é pedir dinheiro demais por ela. Quem exagera na conta, pode sair de mãos abanando. “Você tem que entender o que é realista”, aconselha o professor.
7. Acreditar que o que está no plano de negócios é o que vai acontecer
Para ter sucesso no empreendedorismo, é preciso desafiar os parâmetros que você próprio definiu e mudar os rumos do negócio com agilidade. “É preciso ter flexibilidade para mudar quando as coisas mudam”, recomenda.
8. Procurar o investidor errado
Conhecer o perfil do investidor é importante para que a parceria dê certo. Para que a aliança seja proveitosa para os dois lados, é preciso saber quais são as expectativas dele e entender se elas estão alinhadas com a do negócio.  “Tenha em mente que o investidor está preocupado com a saída. Muitos saem até antes de o negócio dar lucro”, destaca Holan. Se você está procurando um parceiro de longo prazo, aliar-se a um investidor com histórico de saídas rápidas pode não ser a melhor escolha.
9. Achar que você é “cool” e todo mundo quer ser seu aliado estratégico
Muitos empreendedores acham que vão resolver todos os seus problemas de escassez de recursos com alianças estratégicas.  Seja realista. Você pode achar que uma parceria com o Google ou o Facebook é a solução para os seus problemas. Mas o que você tem a oferecer a eles? “Uma aliança implica uma troca. Você tem que ter algo que realmente interesse a eles. Se a relação for assimétrica, não ai acontecer”, adverte o especialista.
10. Acreditar que seus problemas são únicos
Achar que seus problemas são exclusivos é uma armadilha perigosa, porque faz com que o empreendedor deixe de olhar para os lados. “Aprenda com os outros”, aconselha o professor. Ler livros, fazer cursos e principalmente conversar com outros empreendedores pode ajudar a agilizar a solução de problemas.